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Relacionamento Familiar — Spotify do Acervo CEC

Narrado por Moisés Esagüi9 min de leitura

Diferenças afetivas podem ser compreendidas pelo diálogo sincero, sem culpa, acusações ou cobranças, para melhorar os vínculos familiares.

Relacionamento Familiar
Podcast · 15 min 48 s · Ouvir no Spotify

Resumo

Lidar com as diferenças nos relacionamentos permite evoluir. Uma mãe que ama os filhos de forma diferente pode deixar a culpa de lado, reconhecer a própria dificuldade e conversar com sinceridade e disposição para ouvir, sem acusações ou cobranças. Familiares têm padrões emocionais semelhantes, e as companhias espirituais se parecem com quem acompanham. No contato com essas companhias, conhecer as sinaléticas ajuda a discernir as consciências próximas, sem presumir que sensações amenas sejam boas. Um pensamento repentino acompanhado de reflexos físicos pode vir de fora, mas isso não é certeza. Cargas emocionais e negação distorcem até a percepção da vida atual, dificultando a compreensão de experiências de vidas anteriores.

Transcrição da fonte

O relacionamento é fundamental; este planeta só evolui por meio do relacionamento com o outro. Sempre falo isso, mas às vezes penso que não é tão fácil compreendê-lo. Não evoluímos de outra forma. Pense em outra maneira de evoluir que não seja através do relacionamento. Você só consegue ser melhor ou pior quando tem o outro para se referir, certo? Então, se você não tiver ninguém à sua volta, a coisa não funcionará; você não terá nenhum problema. Aliás, uma pessoa me contou agora: Moisés, mudei para um apartamento sozinho e não tenho problema algum. Está certo que não há problema; você está sozinho, não há ninguém para dizer o que fazer, mudar, etc. É assim.

Quando você tem o outro, surgem diferenças; ninguém é igual ao outro. Estamos realizando um processo evolutivo com experiências iguais ou diferentes nas várias reencarnações. O que acontece é que ninguém lida da mesma forma com as coisas que acontecem à sua volta. Imagine que você e outra pessoa iniciaram o processo reencarnatório juntos e tiveram experiências; cada um responderia a cada situação à sua maneira, alguns com mais facilidade, outros com mais dificuldade. Uma mesma situação pode deixar uma pessoa traumatizada, enquanto para outra pode não significar nada, absolutamente nada. Assim, quem ficou traumatizado carregará essa marca de uma vida para outra, e o outro nem se lembrará da dificuldade.

Uma ouvinte relata: "Gostaria de entender o que se passa comigo. É algo que nunca falei para ninguém, por isso não me identifico neste e-mail. Sinto um amor profundo pelo meu filho mais novo, de 12 anos, mas pelo mais velho, de 15 anos, apesar de ter sido o primeiro filho e muito esperado, não sinto a mesma coisa. Existe uma diferença entre nós que não consigo identificar. Tudo o que ele faz me incomoda: a forma como ele fala e se relaciona comigo. Na verdade, a presença dele me incomoda. Isso é horrível de sentir, mas estou sendo sincera e gostaria de mudar isso e entender o que acontece. Poderia me orientar de alguma forma?"

Isso é dureza. Para uma mãe, normalmente achamos que devemos amar todos os filhos de forma igual, gostar de todos os filhos ou atender a todos de maneira equitativa. Do filho para os pais também existe a ideia de que meu pai e minha mãe devem ser amados. Quer dizer, acreditamos que tudo pode ser linearizado, mas não funciona assim. Então, a primeira coisa que observo em você, ouvinte, é a culpa que você pode descartar, pois são diferenças. Pensamos que, por ser filho, não teremos dificuldades, mas as temos. Essa dificuldade deve ser compreendida para que você possa resolvê-la. Um bom começo é conversar com seu filho com sinceridade.

Mas não se deve chegar ao filho e dizer: "Olha, você faz isso, eu não gosto; você faz aquilo, eu não gosto". Isso não é um bom caminho. Já começamos a acusar o outro e a colocar a culpa nele, o que gera problemas. Em vez de falar assim, diga: "Filho, vem cá, preciso conversar com você e preciso que me ouça, por favor. Tenha um pouco de paciência com o que vou dizer; é o que sinto e gostaria de resolver dentro de mim". Assim a situação muda. Você pode contar a ele a dificuldade que tem, reconhecendo que a dificuldade não é dele, mas sua, e pedir que ele a ajude a resolver.

Isso abre o coração dele para fazer um papel de companheiro nesse caminho. Então, acho que essa é uma boa ideia, até para você entender como essa relação se estabeleceu desse jeito. Ele pode até contar para você: "Eu também tenho dificuldades com você e fico muito chateado por causa disso e daquilo". Em nenhum momento nesta conversa você deve entrar em confronto, fazer cobranças ou apontar erros, pois, se o fizer, tudo termina. É preciso estabelecer um canal de comunicação totalmente livre de ruídos individuais, pois cada um de nós carrega cargas emocionais e tende a descarregá-las no outro. A sua ideia não é essa; a sua intenção é simplesmente conversar com seu filho e estabelecer um caminho mais tranquilo e feliz, para que tudo melhore.

Pense sobre isso e veja como pode abordar seu filho. Eu penso que deve ser de forma bastante tranquila, informal, sem nenhum tipo de esquema preparado; senão, você fala assim: "Olha, vamos para tal lugar e vamos…". Acho que não é uma boa ideia. Que seja de forma tranquila, que você possa chegar até ele e convidá-lo a ouvi-la, explicando que precisa resolver algumas questões, que essas questões têm a ver com você e que você acha que não têm nada a ver com ele. Esse é um bom caminho, que lhe permitirá aliviar seu sofrimento e as coisas que estão lhe incomodando.

Relacionamento é algo fundamental na vida de cada um. Comece a percorrer o caminho buscando essa lição, que considero importante aprender: relacionar-se com o próprio filho, alguém que você trouxe ao mundo e com quem pode ter dificuldades. Não devemos transformar essas situações na obrigação de amar todos os filhos da mesma forma só por sermos mães. Encare o relacionamento como algo a ser aprimorado, converse com ele tranquilamente, sem mudar o tom de voz, sem nervosismo ou apontar erros, para que tudo fique bem.

Se você achar que isso não funciona ou discordar de mim, envie outro e-mail para que possamos conversar mais. Acho que isso é bastante importante, pois trata-se de relacionamento familiar, algo que precisa ser resolvido. Ouvinte, se você refletir, nosso grupo familiar é composto por pessoas iguais; não somos melhores nem piores que os demais, somos, na maior parte, semelhantes. Cada um manifesta suas emoções de modo diferente, mas o contexto emocional é muito parecido, certamente, caso contrário não estaríamos nessa família.

Não é possível ao mundo espiritual colocar alguém em um contexto totalmente diferente. Se as pessoas de um grupo são todas evoluídas, ao colocar alguém fora desse nível entre elas, a pessoa não suporta e simplesmente não consegue percorrer o caminho. Ou, ao contrário, ao colocar alguém muito evoluído, que já escolheu seu trabalho, pode ser que ela esteja em uma família que não seja tão boa, mas precisa estar em um local onde consiga exercer a atividade que se propôs a fazer. Assim, escolherá algo produtivo, e não algo que atrapalhe seu processo de trabalho. Portanto, as pessoas com conteúdos emocionais acabam realmente convivendo em padrões muito semelhantes, padrões familiares semelhantes.

Para que melhoremos nossa relação com o mundo espiritual, precisamos ter mais conhecimento. Além da sensibilidade e do sentimento, que são muito importantes, é fundamental que você também conheça mais sobre o mundo espiritual, é preciso entender melhor como funciona.

Para ter uma percepção mais nítida do tipo de espírito que está próximo de você, é preciso conhecer as sinaléticas que ele apresenta ao se aproximar. Imagine uma consciência espiritual bem primitiva, que traz algumas sensações e reflexos físicos que devem ser identificados imediatamente. Então, isso é aprendizado. Você diz que está sentindo algo; assim já conhece o nível da experiência e faz uma identificação importante. De repente surge outro tipo de sinalética, e você passa a perceber que, embora seja mais amena, não é boa apenas por ser amena, mas por trazer características próprias. Nesse caso reconhece-se outra forma de consciência. Assim, passa a discernir entre consciências mais primitivas e mais evoluídas.

Você pode perceber, por exemplo, se a consciência que está perto de você é vingativa, se está tentando tomar a sua vontade ou o seu ego, ou se quer prejudicá-lo porque você fez algo para ela. Também, se for um familiar, tudo isso deve ser reconhecido na sinalização, para que possamos identificá-la.

Você pergunta: "Como saber se uma intuição é mensagem dos mentores ou simplesmente um pensamento?" Vou simplificar: quando é um pensamento seu, especialmente se você tem características obsessivas, ele retorna o tempo todo. Você pode pensar: "Não sei se é meu ou não". Mas conseguimos sentir a origem. Quando vem de fora, o pensamento é repentino. Se você está em algum lugar e, de súbito, surge um pensamento, ele pode ser — não estou dizendo que é — de alguém próximo a você, e você terá algum reflexo físico. Então pode dizer: "Não me senti bem, me senti mal".

Cada um tem o mentor que merece. Anote: isso é importante. Se você é uma tranqueira, faz tudo errado, fala palavrões, xinga todo mundo e odeia o mundo, isso não é uma boa ideia. Por quê? Porque a consciência que estará perto de você é exatamente essa. O relacionamento humano é o ponto de partida da espiritualidade. Há pessoas que tratam as outras sempre com boa vontade: gostam, amam, brincam, ajudam, estão sempre dispostas. Quando essas pessoas o encontram de braços abertos, rindo, contando uma piada ou algo interessante, você percebe que conversam de forma acolhedora. Elas brincam, dizem "eu gosto de você", "eu te amo", revelando uma relação muito mais tranquila.

Imagine que você se aproxima de alguém com a cara amarrada, sem saber se aquela pessoa sente ódio por você, se vai te matar — ela está feia, com uma nuvenzinha escura sobre a cabeça. O mundo espiritual funciona exatamente da mesma forma, só que você sente. Quem fica perto de você são os iguais. Você é mal-educado, mal-humorado, tem um monte de problemas e, de repente, diz que seu amparador espiritual é uma pessoa muito evoluída, que vem surfando numa nuvem azul com uma auréola. Isso não funciona assim. Primeiro, veja quem você é. Pegue um papel em branco e relacione o que tem de coisas positivas e o que tem de negativas. Com certeza as negativas superarão as positivas por dez a zero. Não se autoengane; faça as coisas com coerência.

Uma pessoa diz: "Sou espiritualista e fico confusa, não consigo entender por que não lembramos de nada da vida anterior. Se fui eu que vivi, que estava lá atuando e vivendo experiências, como é possível que tudo se apague da memória, como se nada tivesse acontecido? Até hoje não encontrei uma explicação satisfatória para isso." Se você tem muitos contextos emocionais mal resolvidos, sua visão fica embaçada até na vida física. Quando há cargas emocionais, elas distorcem a realidade e você vê a vida conforme sua versão pessoal. Isso se chama afastamento da realidade: você vê tudo do jeito que deseja, e não como realmente acontece.

No dia a dia, temos um mecanismo de defesa chamado negação, que impede aceitar a morte de um parente, a perda de uma pessoa, de um negócio ou de dinheiro. A situação não é simples. Imagine trazer informações de uma vida anterior que você não compreende plenamente. Por isso, considero esse assunto fantástico. Não somos donos da verdade; somos pesquisadores.

Questões levantadas pelo material

  • É normal amar um filho mais do que outro?
  • Como conversar com um filho quando a relação é difícil?
  • Como distinguir uma intuição dos mentores de um pensamento próprio?
  • Como nossas atitudes influenciam as companhias espirituais?
  • Por que não nos lembramos das vidas passadas?

Palavras-chave

famíliacomunicaçãocompanhias espirituaisdiscernimentosinaléticas energéticas

Como citar

ESAGÜI, Moisés. Relacionamento Familiar. Amparo: Centro de Estudos da Consciência, 22 set. 2020. 1 podcast (15 min 48 s). Disponível em: https://centrodeestudos.org/acervo/relacionamento-familiar/. Acesso em: 7 nov. 2026.