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Você Consegue Lidar com os Diferentes Tipos de Pessoas? — YouTube do Acervo CEC

Narrado por Andrea Murad6 min de leitura

Aceitar pessoas diferentes é compreendê-las sem exigir que ajam como nós, mas isso não obriga à concordância nem à convivência.

Você Consegue Lidar com os Diferentes Tipos de Pessoas?
Vídeo · 52 min 20 s · Assistir no YouTube

Resumo

Pessoas diferentes não são necessariamente difíceis: a diversidade pode ampliar horizontes e favorecer o crescimento. A irritação com o comportamento alheio pode refletir ciúmes, inveja, inseguranças ou expectativas próprias, por isso aceitar a si mesmo e investigar o incômodo fazem parte do autoconhecimento. Aceitar o outro é reconhecer suas dificuldades sem exigir que aja como nós; não significa concordar, submeter-se ou manter a convivência. Passividade não é tranquilidade: o passivo carrega raiva e baixa autoestima, enquanto o agressivo tem medos e pode estar em sofrimento. A assertividade exige treino para falar sem carga emocional, posicionar-se sem culpa e criar espaço para o outro.

Transcrição da fonte

O tema de hoje é "Você consegue lidar com os diferentes tipos de pessoas?". Frequentemente associamos "diferente" a "difícil". No entanto, o diferente não precisa ser difícil; pode ser um aprendizado e uma oportunidade de crescimento. A diversidade cultural e geográfica das pessoas que nos cercam é uma grande riqueza, pois nos permite expandir nossos horizontes. Se nos limitarmos ao nosso próprio meio, nosso crescimento será restrito.

Muitas pessoas associam o tema a relacionamentos difíceis, mas não precisa ser assim. No CD 3, chamado "Aceitação", Moisés Esagüi afirma: "Se você quer melhorar sua aceitação com seus semelhantes, comece aceitando quem você é". Isso destaca a importância de olharmos para nós mesmos quando algo nos irrita. O primeiro passo é entender por que algo nos incomoda, pois isso varia de pessoa para pessoa. Algumas se irritam no trânsito, outras com motoboys, enquanto algumas não se abalam.

O foco deve ser sempre em nosso próprio crescimento e evolução. A irritação com o comportamento dos outros revela mais sobre nós do que sobre eles. Se perguntarmos quem se incomoda com quem posta muito nas redes sociais, alguns podem achar que a pessoa é carente ou exibida, enquanto outros não se importam. Essas reações refletem nossas próprias questões internas. A dificuldade pode surgir tanto com diferenças quanto com semelhanças, como quando alguém é muito parecido conosco e não conseguimos lidar com isso.

A irritação pode ser um espelho de ciúmes, inveja ou dificuldades pessoais. O autoconhecimento é um caminho doloroso, pois nos obriga a enxergar nossas próprias falhas e inseguranças. Quando percebemos que algo nos irrita, é um convite para refletirmos sobre o que isso revela sobre nós e como podemos mudar. Uma história ilustrativa envolve a mãe de Moisés e um caseiro agressivo no sítio dos pais, que era o sonho dela. O caseiro exigiu um aumento de forma agressiva, e Moisés, ainda garoto, temeu pela segurança da mãe. No entanto, ela, com sabedoria, pediu ao caseiro que voltasse em três dias para conversarem. O filho viu agressividade, mas sua mãe viu desespero e incapacidade de pedir ajuda. Três dias depois, o caseiro voltou, pediu e foi ajudado.

Essa história ilustra como, por trás da agressividade, pode haver sofrimento. Não devemos aceitar tudo passivamente, mas é importante entender o contexto e reconhecer que pessoas agressivas geralmente não são felizes ou equilibradas. Outro exemplo é o de Etty Hillesum, uma judia alemã de Amsterdã que morreu aos trinta anos em Auschwitz. Ela escreveu oito cadernos, não com a intenção de publicação, mas como um alívio pessoal. Esses cadernos se transformaram em um diário, semelhante ao de Anne Frank. O diário de Etty, intitulado "O Diário", narra sua história, incluindo conflitos sobre vida e sexualidade, e descreve sua jornada no campo de concentração, onde desenvolveu uma profunda conexão com a espiritualidade.

Um trecho do diário ilustra sua capacidade de enxergar a dor do outro: "Não é fácil eu me amedrontar, não porque eu seja corajosa, mas porque sei que estou lidando com seres humanos e preciso tentar ao máximo compreender tudo que qualquer pessoa possa fazer." Ela via o jovem oficial da Gestapo como atormentado e gostaria de tratá-lo, pois sabia que jovens como ele se tornam perigosos quando soltos no mundo. Etty é mencionada no livro "Comunicação Não Violenta" por sua incrível compaixão e empatia.

Não precisamos conviver e concordar com todos. Podemos aceitar e entender o outro como um poço de dificuldades e infelicidade, mas não somos obrigados a conviver. Conviver ou não é uma escolha nossa. É importante não ter raiva ou sentir o coração disparar quando alguém nos provoca. Isso indica falta de aceitação plena. Se conseguimos olhar para alguém e reconhecer suas dificuldades, podemos aceitar sem precisar conviver.

Conviver ou não fica a critério de cada um, pois tudo é troca e padrão energético, e conviver com certas pessoas pode causar perda energética significativa. Aceitação não é concordar ou conviver, mas entender e sair do próprio ego para enxergar o próximo. Diferente não é igual, mas muitas vezes esperamos que os outros ajam como nós. Temos expectativas e não enxergamos que o outro é diferente. Quando conversamos, vemos nossas próprias expectativas e frustrações. Precisamos aceitar que o outro é o outro, com suas dificuldades, e deixar nossas expectativas de lado. Respeitar o que cada um é, saindo do próprio ego, é fundamental para lidar com as diferenças.

Em vendas, aprendemos que cada pessoa requer uma abordagem diferente. Não adianta ser um único vendedor para todos, já que as pessoas são diferentes e exigem linguagens distintas. Essa leitura das pessoas é algo que se aplica em toda a vida. É importante observar cada pessoa ao nosso redor.

Não confunda passividade com tranquilidade. Tanto o passivo quanto o agressivo carregam cargas emocionais. Na pesquisa do Instagram, 58% dos que acompanham nosso trabalho se consideram passivos e 42%, agressivos. A segunda pesquisa mostrou que 79% das pessoas têm mais dificuldade em lidar com o agressivo, enquanto 21% têm mais dificuldade com o passivo. O passivo não se posiciona, mas carrega insatisfação, raiva, carência e baixa autoestima. Já o agressivo, quanto mais agressivo, mais medos possui. Ele pode não explodir externamente, mas dissimula, ri, tira sarro ou fala mal pelas costas. A agressividade pode ser controlada por um tempo, mas chega um momento em que não dá mais. O agressivo é instintivo, impulsivo e muitas vezes sente culpa. Ninguém com essas características emocionais é feliz.

O agressivo é ansioso e, para se relacionar bem, precisamos ser assertivos. Ser assertivo é comunicar-se sem carga emocional, enxergar o outro e se posicionar sem culpa. A assertividade vem de um bom nível evolutivo e está relacionada ao chacra cardíaco. Para chegar nesse estado, é preciso treino. Falar é um exercício importante, mesmo para os passivos, que têm medo de não serem aceitos. Uma amiga começou a falar mais com o marido agressivo, superando o medo inicial. Ela se propôs a esse treino e agora consegue conversar com mais tranquilidade. Falar é um exercício necessário para todos, inclusive para os agressivos.

Além do comportamento humano, trabalhamos com espiritualidade. Cada um de nós está rodeado por espíritos semelhantes. Quando falamos, também nos dirigimos a esses espíritos. Compartilho uma experiência pessoal: meu marido teve um problema de saúde e foi ao hospital, mas eu sentia que precisava ir a São Damião. Expliquei à minha sogra a importância disso, e ela compreendeu. Falar é essencial para evitar mal-entendidos e compor relações.

Na família do meu marido, sou a diferente. Eles adoram churrasco, mas eu e minhas duas filhas somos vegetarianas. Meu cunhado, inicialmente chateado, comprou uma grelha para legumes, demonstrando carinho e aceitação das diferenças. Isso é um exemplo de como lidar com diferenças sem raiva. Estamos aprendendo a aceitar e lidar com as diferenças, o que é uma grande riqueza e aprendizado.

O crescimento neste planeta ocorre através dos relacionamentos, aceitando diferenças e trabalhando a aceitação. Saindo do nosso ego, crescemos. Pessoas de diferentes costumes e sotaques podem se reunir para construir algo juntos. É importante ter espaços para trabalhar o relacionamento e a aceitação, onde podemos receber feedback e aprender a conviver.

A interação com pessoas diferentes pode ser desafiadora, especialmente em relação ao nível de proximidade e intimidade. É mais fácil lidar com pessoas semelhantes, mas é importante não se isolar. Pessoas de alto nível evolutivo são exemplos de abertura ao diferente. Se elas se fechassem, muitos não evoluiriam. É essencial sair do ego e se relacionar com os outros. Algumas pessoas têm dificuldade em manter conversas, especialmente com pessoas mais caladas. Isso pode ser um exercício de paciência e aceitação do silêncio. Para nos relacionarmos bem, precisamos resolver nossas cargas emocionais e criar espaço para o outro em nossas vidas. Aceitar não é se submeter.

Questões levantadas pelo material

  • O que a irritação com outras pessoas revela sobre mim?
  • O que pode estar por trás da agressividade?
  • Aceitar alguém significa ter que conviver com essa pessoa?
  • Qual a diferença entre ser passivo e ser agressivo?
  • Como ser mais assertivo ao lidar com pessoas agressivas?

Palavras-chave

aceitaçãorelacionamentosassertividadepassividadeagressividade

Como citar

MURAD, Andrea. Você Consegue Lidar com os Diferentes Tipos de Pessoas?. Amparo: Centro de Estudos da Consciência, 29 mar. 2022. 1 vídeo (52 min 20 s). Disponível em: https://centrodeestudos.org/acervo/voce-consegue-lidar-com-os-diferentes-tipos-de-pessoas/. Acesso em: 8 nov. 2026.

Você Consegue Lidar com os Diferentes Tipos de Pessoas? — Acervo CEC