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Aprendendo a dizer "Não" — Spotify do Acervo CEC

Narrado por Moisés Esagüi9 min de leitura

Revelar o próprio motivo permite recusar sem culpar o outro; quem não consegue dizer não a uma pessoa também não recusa assédios espirituais.

Aprendendo a dizer "Não"
Podcast · 16 min 3 s · Ouvir no Spotify

Resumo

Dizer não com sinceridade exige clareza sobre os próprios sentimentos e permite recusar algo sem rejeitar a pessoa: é possível explicar a própria necessidade e falar da situação, sem culpá-la nem entrar em confronto. Carências, mágoas e outras dificuldades emocionais tornam esse posicionamento mais difícil. Quando alguém aceita contra a própria vontade, sente frustração e raiva de si e projeta essa carga no ambiente. Quem não consegue dizer não por medo de uma pessoa assediada e com raiva também aceita os assédios espirituais que a acompanham, favorecendo a perda de energia e as somatizações. Cada pessoa é responsável pelo próprio caminho de evolução.

Transcrição da fonte

Aprender a dizer não é um tema bastante interessante, pois a dificuldade que temos é exatamente essa: impor limites ao outro, dizer não quando precisamos, por tudo que somos. O primeiro e-mail recebido diz o seguinte: "Moisés Esagüi, confesso que, conforme fui ouvindo as coisas que ele fala, por um lado fui me esclarecendo, mas, por outro, fui ficando com mais dificuldade. Tenho uma dificuldade muito grande quando preciso me posicionar para o outro, ao falar algo que, para ele, pode não ser tão agradável de ouvir. Então acabo falando o que é mais fácil, embora o mais fácil nem sempre seja o melhor para mim."

A pessoa continua: "Já recebi propostas relacionadas ao trabalho, por exemplo, em que eu teria que fazer coisas que não considerava éticas. Nesse sentido, não tenho dificuldade nenhuma em me posicionar e expressar a minha opinião; não consigo fazer nada que seja incorreto. Contudo, em situações familiares, enfrento grande dificuldade. Um dia desses, um parente distante veio me visitar e se ofereceu para ficar alguns dias em casa. Eu não queria, mas como poderia dizer isso? Será que eu estaria sendo pouco compreensiva? Será que não estaria vendo um lado ou o outro? Como saber até onde penso em mim e até onde penso no outro?"

Vamos começar pelo início do e-mail, onde você diz que, quando algo não é ético, consegue dizer não, pois não pode fazer nada incorreto. Você afirma que, quando as coisas são claras para você, consegue dizer não. Quando algo está bem claro dentro de você, pode se posicionar. Isso ocorre com a maioria das pessoas: quando algo é muito claro, a pessoa realmente consegue se posicionar.

Agora, você está falando do seu parente, não? Um parente distante que, de repente, se convidou a ficar na sua casa. Como você vai dizer a ele que não gostaria que ele ficasse? Isso não é muito claro. O que você vai dizer? Vai dar uma desculpa esfarrapada? O que você vai fazer? Penso que devemos revelar nossos sentimentos. No caso que você menciona, você está dizendo que não consegue expressar seus sentimentos, dizendo: "Olha, eu realmente não gostaria que você ficasse em casa." Então você pensa: "Mas ele ficará muito chateado." Contudo, pode justificar por que não quer que ele fique. Não é necessário apontar a culpa a ele; pode dizer que a razão é sua.

Você pode dizer a ele que não quer que ele fique, porque quer ficar sozinha. Você fala: "Olha, infelizmente agora quero ficar só. Eu realmente acho que é muito bom você ficar aqui, mas não gostaria que você ficasse, porque quero ficar só. Não é você, não, sou eu." Pronto, acabou. Ele não ficará ofendido se você quiser ficar sozinha; ficará ofendido se disser que não o quer lá. Aí é outra história. Mas aprenda isso, pois é uma forma de lidar com o outro de modo elegante e sincero, porque realmente é isso que você está pensando. Provavelmente você tem seus motivos; pode revelá-los, e o outro verá que há sinceridade.

A pessoa se convida, embora não queira saber se você vai aceitar; ela se convida e já entra. Você pode pará-la, porque não é o que deseja, e, aliás, a casa é sua. Acho muito importante dizer não quando se quer dizer não, pois o que acontece é que o próximo passo será sentir raiva de si mesmo, frustrar-se com a própria falta de competência, ficar muito chateado e, a partir daí, gerar mais raiva. Essa raiva será projetada no ambiente, refletindo o que não se conseguiu resolver. Não é uma boa ideia; isso também é motivo para você falar.

Isso já aconteceu comigo, de uma pessoa solicitar uma coisa e eu dizer para ela assim: "Olha, eu quero te dizer não, mas eu estou com muita dificuldade. Então eu vou te explicar por que eu quero te dizer não. Se eu não te disser não, eu vou ficar muito chateado comigo." Porque eu não quero que isso aconteça, não quero fazer isso. Então, para que eu não fique mal e a situação que estamos entabulando não fique ruim para os dois, prefiro dizer que não é uma boa. E aí você diz o não. Está dito não. A pessoa vai entender.

O que não podemos é achar que, quando você diz não a alguém, está dizendo que não gosta dela; isso confunde. Você diz não a uma coisa e a pessoa assume imediatamente, encolhe-se, faz cara de vítima e pensa, inconscientemente, que não é querida. Não funciona assim. Você pode dizer não quando quiser e também pode dizer sim quando quiser; ambos devem ser possíveis.

É óbvio que dizer sim é muito mais fácil do que dizer não. Existem regras técnicas e características de personalidade, porque você pode observar uma pessoa e saber quem ela é. Se você sabe quem a pessoa é, conhece o melhor caminho para dizer a ela o que pensa. Embora falemos de não, você terá dificuldade para expressar sua opinião a alguém, não é verdade? Principalmente porque opinar pode se tornar um confronto direto. Você diz uma coisa e a pessoa responde outra.

Vou contar uma situação que foi muito engraçada. Eu estava com uma blusa que tinha ganho, fazia frio, e uma amiga chegou perto de mim e disse: "Olha que blusa bonita, posso tocar nela?" Eu respondi: "Não." Ela repetiu o "não", mas o tom era diferente, o que tornou a situação engraçada. Expliquei que o "não" que eu dizia, repetido três ou quatro vezes, era apenas um "não", sem outro sentido. Falei rindo e ela também riu.

Mas precisamos dizer isso, pois, caso contrário, dá a impressão de que, ao falar algo, estamos confrontando a pessoa, tirando seu direito, e ela reagirá. Não é adequado entrar em confronto com alguém. Deve-se falar da situação, não do outro ou do ego do outro. Isso ocorre porque, por falta de orientação e educação, achamos que tudo o que nos é dito tem relação conosco.

Quanto mais carga emocional você acumula ao longo da vida — dificuldades emocionais, carências, raivas, mágoas, ranços e falta de afetividade —, mais se reduz sua percepção do ambiente e das coisas. Seu humor torna-se muito variável ou negativo. Pegue uma pessoa muito bem resolvida; o humor dela é claro e ela consegue falar as coisas sem problema. Até questões que você imagina serem muito difíceis para você, a pessoa as expressa sem nenhum tipo de dificuldade. Isso é importante: quanto mais livre você estiver de si mesmo, mais fácil será fazer qualquer coisa.

Explique as situações e dê sua opinião sem medo, pois costuma-se achar que se está indo contra a opinião do outro. A pessoa tem a opinião dela; se você expressa a sua, não está necessariamente contra. Não é assim que funciona. Cada um tem o direito à sua opinião. Contudo, há quem queira dominar, submeter o outro e dizer: "Não, eu tenho razão e acabou." Estamos apenas conversando.

Conversar é algo que precisamos aprender. Não é tão simples; falamos alterando a voz, tentando que o outro escute exatamente o que dizemos, mas isso não funciona. O trabalho que tenho desenvolvido é sincero — quem me conhece pessoalmente sabe disso. A pessoa continua no e-mail: "Muitas das coisas de que você fala eu desconheço e estou aprendendo aos poucos. Uma delas é como a dimensão espiritual acompanha a dimensão emocional; ao notar isso em seu conteúdo, achei muito interessante. Aproveito o e-mail para solicitar que, se possível, comente em seu programa a situação das pessoas que têm dificuldade de se relacionar com o outro, que não conseguem se posicionar, falar o que pensam e dizer o sim e o não que gostariam. Quais implicações esse comportamento tem para elas no âmbito espiritual?"

Isso é ótimo! O nosso comportamento tem tudo a ver com a parte espiritual. Sempre falo isso porque queremos ser mais felizes fazendo coisas espirituais e esquecemos que somos herdeiros de nós mesmos. Se não fosse assim, não faria sentido falarmos de livre-arbítrio e de reencarnação. Você não vem aqui para ficar pedindo a alguém que te ajude, não é? Isso é uma carência absoluta e uma falta de iniciativa muito grande. Dizemos: "Deus me ajude, Cristo me ajude, Buda me ajude, os santos me ajudem". Todos devem ajudar você, mas você não se mexe para fazer nada.

Pessoalmente, vocês podem me questionar, mas é assim: você é responsável por si mesmo. Nosso caminho de evolução é individual. Você pode dizer: "Mas e o grupo?" Sim, você evolui. Outros que estão trabalhando evoluem e, no fim, todo mundo evolui, mas ninguém tem de carregar o outro. Podemos dar uma mãozinha, esclarecer, ajudar, mas não podemos carregar o outro.

O que você faz é importante. Pense numa coisa: suas atitudes implicam diretamente no mundo espiritual. Se você quer que as coisas fluam e que melhorem, terá que lidar com questões complicadas para o ser humano, principalmente no relacionamento, que é a forma como tendemos a evoluir. O relacionamento inclui sim e não; não se trata apenas de um ou outro. Existe um meio-termo, há conversa, há palavra. Temos ali centenas de termos que podem ser usados para conversar com alguém e explicar uma situação. Ninguém precisa chegar e dizer apenas "não"; há um milhão de formas de se dizer não.

Na verdade, é uma questão de retórica, de clareza de pensamento, de estar bem consigo mesmo, de falar sem carga emocional, de bom humor. Você pode perguntar: "Como o sim ou o não pode influenciar espiritualmente?" Se você não consegue dizer não a uma pessoa, também não consegue dizer não aos assédios espirituais. Pense nisso. Se você tem uma pessoa extremamente assediada, mal-humorada, com raiva, que vem com toda a carga contra você e você não consegue dizer não porque tem medo dela, está dizendo sim para toda a turma ruim que está ao lado dela. Isso é algo a ser aprendido. Imagine o que você pode fazer com um simples não.

Você pode se livrar de ficar muito mal, de ter dor de cabeça, de ficar mal-humorado, de sentir dor nas costas e de desenvolver muitas somatizações, pois basta dizer não. Isso é sério; precisamos enfrentá-lo, mas não aprendemos a dizer não. O que aprendemos foi baixar a cabeça e dizer sim para evitar confrontos e evitar fazer coisas que tememos que gerem algo ruim. É assim.

Há implicação espiritual? Sim. Essa implicação não termina no momento em que você precisa dizer não. Sua vida e as coisas continuam, mas você não consegue dizer não. Isso fica claro para o mundo espiritual: você é uma pessoa fácil de perder energia sempre que eles quiserem. O mundo espiritual tem mais pessoas carentes, desinformadas, consciências e espíritos ignorantes do que podemos imaginar. Imagine a fila de espíritos para reencarnar aqui. Na Terra temos quase 7 bilhões de habitantes. Imagine o outro lado: uma multidão. Considere a população da Terra.

Você é psicanalista — vai entender, trabalha com pessoas. Observe a população da Terra e o número de indivíduos com dificuldades emocionais. Segundo minha estatística, entre 80% e 85% da população mundial apresenta dificuldades emocionais, algumas visíveis e outras não. Portanto, há um percentual menor de pessoas que têm menos dificuldades.

Questões levantadas pelo material

  • Como dizer não com clareza sem criar conflitos?
  • Como a dificuldade de dizer não alimenta a raiva?
  • Como a carga emocional dificulta dizer não?
  • Quais são as consequências espirituais de não conseguir dizer não?

Palavras-chave

assertividadecomunicaçãoassédio espiritualperda de energia

Como citar

ESAGÜI, Moisés. Aprendendo a dizer "Não". Amparo: Centro de Estudos da Consciência, 13 jun. 2024. 1 podcast (16 min 3 s). Disponível em: https://centrodeestudos.org/acervo/aprendendo-a-dizer-nao/. Acesso em: 2 nov. 2026.