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Carência Afetiva — Spotify do Acervo CEC

Narrado por Moisés Esagüi10 min de leitura

A carência afetiva nasce da falta de carinho e escuta na família e leva a pessoa a usar o primeiro parceiro que aparece para tapar esse vazio.

Carência Afetiva
Podcast · 18 min 2 s · Ouvir no Spotify

Resumo

A carência afetiva nasce da falta de carinho e escuta na família, e quem a carrega tende a repetir padrões agressivos e a idealizar parceiros para preencher esse vazio. Essas dificuldades afetam o dia a dia, e a terapia pode ajudar a ressignificar a vida e a compreender o que conecta o casal. A assertividade permite expressar sentimentos e estabelecer limites sem passividade nem agressividade. O desequilíbrio energético do parceiro pode causar mal-estar e pesadelos. A pressão energética de pessoas agressivas pode ser percebida pela clarividência, que se desenvolve com estudo e prática e não é um dom.

Transcrição da fonte

A questão da carência apresenta inúmeras formas. A carência que mais afeta o indivíduo é a afetiva, muito mais do que a carência de dinheiro, pois não se pode negar que o dinheiro é fundamental para ter conforto, alimento e outras necessidades. No contexto psíquico e emocional, a carência afetiva pode obscurecer a própria existência da pessoa.

Imagine uma pessoa que não recebeu carinho nem afetividade do pai e da mãe. Viveu numa família muito disfuncional, onde todos brigavam e discutiam. Aparecem situações em que o pai agressivo acha que sabe tudo, ofende a mãe, desqualifica-a e desqualifica o filho. Dentro de casa, ele realmente destrói tudo; fora de casa, apresenta-se como um santo, pode até ser canonizado, pois todos dizem: "homem, ele é um santo, tão bom, tão trabalhador". Na verdade, ele está destruindo toda a estrutura familiar, às vezes sem saber. A pessoa não teve orientação ou veio de uma família assim e acredita que está tudo certo.

Não funciona desse jeito. Nossos filhos, nossa família e as pessoas que nos cercam precisam ser tratadas com respeito e ouvidas. É preciso dar importância ao que as pessoas dizem e ao que são. Elas devem ser reconhecidas. Se você quiser ser reconhecido de forma saudável, reconheça também as pessoas. Uma pessoa agressiva, negativa ou que só destrói e enfrenta os outros também é reconhecida pelo que é; isso não é uma boa ideia.

Quem nasce em uma situação como essa, com certeza, terá carência afetiva. Imagine um filho ou uma filha que sai de uma família em que o pai e a mãe nunca se abraçam, não falam coisas carinhosas e não conversam; quando se dirigem ao outro, dão voz de comando. Quando essa pessoa deixa a família, tende a agir da mesma forma, muitas vezes sentindo um grande vazio afetivo.

O primeiro ou a primeira que aparecer na frente tenta ser usado para tapar o buraco de suas necessidades afetivas. Essa pessoa acaba encontrando a pessoa errada. O casamento termina no ciclo normal de quatro anos, que é o tempo que uma relação que não se baseia em amor, carinho, discernimento e maturidade consegue durar. Depois pode até se sustentar, mas será uma relação pouco boa.

Existem pessoas bem resolvidas, sim. Não direi que isso representa a maioria; é a minoria das pessoas, porque a constituição familiar normalmente se baseia em regras e crenças. Às vezes, as crenças sobrepõem-se à realidade, ao bom senso e à afetividade. O pai pode ser muito rígido porque tem uma religião que determina que as coisas devem ser desse jeito, e ele esquece que o outro é um ser humano que precisa de carinho, de ser ouvido, de acolhimento, de ser tocado e amado. Por esse motivo, haverá pessoas com carência, sim.

O fruto, ou seja, a semente da carência, é a ignorância, como a semente de todas as coisas. A ignorância faz com que percorramos caminhos nos quais não trocamos com os outros, não nos relacionamos bem, nem de forma sadia, até porque, muitas vezes, não temos espaço emocional para isso, nem tempo, nem para nós nem para o outro. Existem, sim, pessoas que podem estar bem resolvidas, com um pouquinho de carência aqui ou ali, mas que conseguem viver de forma funcional, tranquila, com saúde psíquica que as leva a realizar tudo o que desejam.

Quando temos dificuldades emocionais, acabamos repassando essa dificuldade para a vida cotidiana, nas relações com o outro, com o trabalho, social e familiar. Recomendo fazer terapia, pois, se você não está bem, é preciso reajustar e ressignificar a sua vida para alcançar o bem-estar. Ninguém deve viver infeliz; esse conceito não é adequado. Aliás, atribuir a infelicidade ao carma não faz sentido. Carma é um tema que ainda precisamos discutir, e as cargas emocionais trazidas de uma vida para outra podem ser chamadas de carma.

As cargas emocionais têm a ver com quem você é, com o que fez e com as heranças, pois você é herdeiro de si mesmo, de várias vidas. É possível resolver; ser infeliz não deve ser uma opção. Nossa escolha deve ser a felicidade, e devemos buscá-la. Imagine uma pessoa extremamente agressiva. Que tipo de energia ela emite? Dá até para sentir a pressão no ambiente. Algumas pessoas são agressivas sem precisar abrir a boca; permanecem paradas e já sentimos uma pressão energética e emocional. Isso pode ser percebido através da clarividência.

A clarividência não tem nada a ver com dom. Isso é uma história que não corresponde à realidade. O ser humano tem, sim, a capacidade, no percurso das várias vidas e nesta vida atual, de trabalhar, melhorar-se e aperfeiçoar-se. Isso é trabalho; não tem nada a ver com a ideia de que Deus escolhe uma pessoa e lhe dá um dom. Se a pessoa tem uma clarividência real, em que pode ver realmente a aura das pessoas, as energias e os chacras, com certeza está trilhando um percurso de espiritualidade, e não apenas nesta vida. Portanto, isso não é um dom, é trabalho. Ela foi descobrindo e aprendendo, e fez um percurso de conhecimento. Isso você pode fazer.

A clarividência envolve compreender a visão humana, o funcionamento do duplo etérico, os chacras e a energia emitida ao impor as mãos, além de como a energia sai das mãos. Também envolve saber o que você pode ou não fazer por outra pessoa e como perceber essas energias em diferentes ambientes, algo que muitas vezes você nem percebe. Se estiver em um lugar e de repente vir um vulto, pode pensar que se trata apenas de uma sombra. É preciso entender o funcionamento da clarividência para compreendê-la e praticá-la.

A regressão, por exemplo, é um processo que se realiza muitas vezes com os olhos fechados. A clarividência permite que você esteja com os olhos abertos e, por meio do conhecimento, pratique e consiga enxergar algumas coisas. Não se trata de religião. O trabalho é de questionamento e crítica; aprende-se e, através desse conhecimento adquirido, após muita pesquisa e estudo, realizam-se testes e chegamos a conclusões.

Não somos donos da verdade, porque a verdade absoluta, com certeza, não mora neste planeta ainda. Contudo, acredito que exista uma verdade relativa, que vamos construindo à medida que nos aproximamos do todo. Há um e-mail que diz: "Moisés Esagüi, por favor, ajude-me a resolver um problema que está me tirando o sono. Meu chefe é uma pilha de nervos, incompetente e totalmente controlador. Se eu lhe disser que ele controla até minhas idas ao banheiro, acreditaria? Mas é verdade. Vivo sob pressão desde o momento em que acordo até a hora em que deixo o trabalho. Isso não é vida. Adoro meu trabalho, porém essa relação está me matando. Comecei a sentir dores no peito, minha pressão está alta e tenho tremores. Não consigo relaxar."

Já tentei, sutilmente, falar sobre isso com o superior do meu chefe, mas percebi que ele não faz ideia de quem meu chefe realmente é e não acreditaria em mim. Não sei o que fazer. Estamos lidando com uma pessoa agressiva. Existe um modo de lidar com ele sendo assertivo; se você for passivo, ele o destruirá. Aos poucos, você vai somatizar tudo: doença, dor de cabeça, dor nas costas, tremores, pressão alta, dor no peito, ficando angustiado. O pior é que isso não termina quando o expediente acaba; as dificuldades continuam depois do trabalho. Portanto, é importante desenvolver assertividade e adotar um comportamento assertivo.

Você pode pensar: como isso vai resolver? Simples. A assertividade é uma forma de comportamento em que você se posiciona, demonstra seus sentimentos e expressa o que está pensando de maneira adequada, de modo que o outro não possa agredi-lo. O outro terá de ouvi-lo. O comportamento assertivo situa-se entre a passividade e a agressividade. Você não se recolherá quando o outro falar; posicionar-se-á, dirá ao outro o que pensa e estabelecerá limites. Quando fala com sentimento e clareza, sem medo, o outro percebe que está se excedendo.

Você pode pensar: "Posso fazer e dizer isso, mas perderei meu emprego." Não acontecerá. Seja assertivo e acredite: se for assertivo, colocará o outro em seu lugar e o tirará do seu espaço, pois ele está invadindo. Ele invadiu o seu lugar. Isso ocorre na relação entre marido e mulher: o marido invade o espaço da esposa e a esposa invade o espaço do marido. Portanto, há coisas que você precisa saber.

O marido é um homem e, portanto, deve cumprir o papel de homem. Você, como mulher, cumpre o papel de mulher. Existem homens que assumem o papel de mulher e mulheres que assumem o papel de homem. Às vezes é preciso despertar para isso. Você aprenderá sobre assertividade para ser mais feliz. Quando ela começou a se relacionar com o marido, passou a sonhar com morte, assassinato e perseguição. Ele é muito agressivo, grita com todos e ninguém o suporta no trabalho. Ela ouviu meu programa sobre terapia e sugeriu que ele fizesse terapia. Ele, porém, mandou-a àquele lugar e afirmou que ela precisava de terapia. Quando bebe, ele causa escândalos.

Não sei o que fazer. Como é que se casa com um marido desses? Vou explicar por que a gente se casa com uma pessoa que não é exatamente o que esperávamos. Você está apaixonado; falei de carência? Você tem a maior carência do mundo, assim como todas as pessoas que estão apaixonadas. Quando surge alguém para suprir essa carência, a pessoa costuma ser um príncipe ou uma princesa encantada, porque é isso que imaginamos. Além disso, a pessoa dissimula o que realmente é, pois isso faz parte do processo de sedução. Com o tempo, ela não consegue mais sustentar uma identidade que não lhe pertence, e então aparece a pessoa real. Seu marido surge e se torna presente. Agora você tem alguém com quem lidar, que não é exatamente quem imaginava ter casado.

Sempre existe uma forma de a gente dar conta da nossa vida. Acho que você tem que conversar com ele, mas, para conversar, é preciso se preparar e entender melhor como funciona essa relação, o que está acontecendo. No caso que você mencionou, ele bebe e é agressivo. Ele deve ter assédio sobrando para distribuir de graça.

Quando você tem uma pessoa ao seu lado muito assediada, quando se deita ao lado dela na cama, começa a se sentir mal. Tenho relatos de mulheres que dizem: "Nossa, quando meu marido se deita, eu quero sair da cama; tenho que dormir em outro lugar, porque não aguento. Começo a sentir coceira, sinto-me tocada. Imagina o mal-estar, dor de cabeça, como se algo estivesse me tocando." É uma sensação ruim saber que isso é real. Há pessoas que realmente estão numa condição de desequilíbrio energético. Pesadelos — a pessoa diz que sonha com morte; isso é pesadelo, na verdade, não é um sonho.

Ao buscarmos entender isso, eu acho que você pode se preparar. A relação com o outro é a base do nosso crescimento. Nós crescemos e evoluímos exatamente pela relação que podemos ter com o outro. Se não existisse ninguém no mundo, você não teria nenhum problema de relacionamento. Temos isso porque o outro é sempre diferente de nós. Este, no caso, parece muito diferente.

Talvez você precise fazer terapia para descobrir o quanto tem de coisas iguais a ele, porque se juntou a ele. Não nos juntamos a uma pessoa muito diferente; há algo que nos conecta. Talvez você seja agressiva, de forma velada. Vamos analisar isso. Descubra melhor quem é e como se constituiu essa relação, a fim de modificá-la. Vejo que é algo bastante difícil, mas tem solução, com certeza. Quando temos uma pessoa assim ao lado, a situação é muito séria.

Questões levantadas pelo material

  • Como a carência afetiva se forma na infância?
  • Como a carência afetiva influencia a escolha de um parceiro?
  • A clarividência é um dom ou pode ser desenvolvida?
  • Como impor limites a pessoas agressivas?
  • Como o desequilíbrio energético do parceiro pode afetar o sono?

Palavras-chave

carênciafamíliarelacionamentosassertividadeclarividência

Como citar

ESAGÜI, Moisés. Carência Afetiva. Amparo: Centro de Estudos da Consciência, 28 jan. 2022. 1 podcast (18 min 2 s). Disponível em: https://centrodeestudos.org/acervo/carencia-afetiva/. Acesso em: 4 nov. 2026.