Resumo
Aprender a lidar com a vida pede esforço e boa vontade, sem acumular raivas nem culpar os outros pela própria infelicidade. Moisés prometeu na infância ajudar as pessoas e tornou-se psicanalista; embora não tenha realizado tudo o que queria, sente-se feliz com o percurso e trabalha até onde consegue fisicamente. Tem certeza de que, ao entregar o veículo físico, saberá mais ou menos que caminho seguir, provavelmente continuando a trabalhar. A gratidão pelo que conseguimos fazer acompanha a compreensão de que nossa continuidade está no que pensamos e constituímos internamente.
Transcrição da fonte
Cada um de nós, no caminho que faz, precisa aprender a lidar com a vida: deixar de ser mal-humorado e reclamão, parar de somar raivas e ódios e de culpar os outros por nossa infelicidade. Cada instante deve ser aproveitado com boa vontade, dentro do espaço daquilo que somos. Às vezes, conseguimos ir mais longe por esforço; outras vezes, não conseguimos por não fazer esforço ou por estarmos acostumados a outras coisas na própria vida.
Lembro-me de minha infância em Itacoatiara, onde morava em uma casa muito simples, toda de madeira: assoalho e paredes de madeira. Aquelas madeiras abrigavam todo tipo de inseto, aracnídeo, bicho e réptil; havia até cobras, e eu andava descalço ali. O que lembro, e que hoje não existe mais, é que as pessoas se relacionavam. Brincávamos de roda e de passar anel, coisas de relacionamento e de criança. Saindo da casa pela esquerda na rua de terra, talvez após uns 50 metros — não tenho noção exata da metragem —, chegava-se ao fim da rua. Atravessando-a, havia uma pequena ponte e uma serraria, ambas já cheias de serragem. Eu corria descalço na serragem, sentindo-a nos pés, sem a mínima noção do perigo.
A ponte devia ter talvez dois ou três metros de comprimento, com um riacho passando por baixo. Eu ficava correndo ali. Ao sair de dentro da serraria e atravessar a ponte rumo à minha casa, havia árvores imensas que marcaram muito minha vida e um mato cerrado sem tamanho. Foi nessa ponte que prometi a mim mesmo que me esforçaria o máximo possível para ajudar as pessoas. Hoje sei que não cumpri tudo o que gostaria, mas pelo menos fiz o caminho de me tornar psicanalista. Já trabalhei mais e melhor; agora faço o que dá e dou atenção até onde consigo fisicamente. Sinto muita felicidade pelo percurso, por aquilo em que me constituí em termos de pensamento, ideias, entendimento da vida, aprendizados e relações comigo mesmo e com quem está ao meu redor.
Tenho a certeza absoluta de que, quando chegar o dia de entregar este equipamento, nosso veículo físico, poderei saber mais ou menos o caminho que seguirei, provavelmente continuando a trabalhar. Esse é um sentido muito bom da vida. O que digo é uma conversa comigo mesmo, e penso em dar esse título ao vídeo: "Conversa Comigo Mesmo". Sou agradecido. É bom agradecer por tudo que conseguimos fazer: por falar, ouvir, ver, movimentar-nos e por tudo isso. Não enxergamos, mas devemos agradecer sempre, pois a continuidade do que somos é aquilo que pensamos e constituímos internamente. Talvez eu use o título "Conversas comigo mesmo" para estas falas.
Questões levantadas pelo material
- O que levamos da vida após o desencarne?
Palavras-chave
Como citar
ESAGÜI, Moisés. Conversas comigo mesmo - (1) - Fazemos o caminho juntos. Amparo: Centro de Estudos da Consciência, 28 nov. 2017. 1 vídeo (8 min 45 s). Disponível em: https://centrodeestudos.org/acervo/conversas-comigo-mesmo-1-fazemos-o-caminho-juntos/. Acesso em: 3 nov. 2026.





