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Medos que nos paralisam — Spotify do Acervo CEC

Narrado por Moisés Esagüi6 min de leitura

Medos nascem do significado atribuído a situações, podem causar somatizações e bloqueios e exigem terapia quando a vontade não basta.

Medos que nos paralisam
Podcast · 11 min 30 s · Ouvir no Spotify

Resumo

O medo está ligado ao significado emocional da situação, como na fobia de água, que precisa de terapia. O medo de falar em público se manifesta como somatização; o trabalho interno ajuda a superá-lo, com orientação ou terapia quando a vontade não basta. O bloqueio ao falar de si pode vir do receio de expor experiências da infância, quando ainda não havia condições de se defender. Moisés saiu do corpo pela primeira vez aos sete anos; suas experiências de projeção astral e de corpo mental deram origem ao Centro de Estudos da Consciência.

Transcrição da fonte

Um ouvinte pergunta: "Desde criança tenho pavor de água. Não vou à praia nem que me mate, e passo longe de piscinas, poços, lagoas e tudo mais. É uma situação terrível porque as pessoas não entendem meu pavor. É uma fobia muito forte; tenho que sair de perto do lugar imediatamente. Sempre sonho com ondas do mar imensas vindo em minha direção. Já tenho 47 anos e não consegui resolver isso. Minha esposa sempre diz que eu devo me tratar com algum especialista no assunto. Você poderia me orientar de alguma forma, por favor?" Você não tem medo da água, mas do que ela representa para você. Você realmente precisaria fazer terapia para descobrir o que isso significa. Caso contrário, ficará o tempo todo fugindo da água. Você tem medo de piscina e de água do mar, algo que crianças não têm. Você tem 47 anos.

Sua esposa tem razão: você deve buscar um terapeuta, uma pessoa competente que atue em alguma linha da psicologia, como a psicanálise. O medo de algo está sempre ligado ao que a coisa representa para você, ao seu significado. Se você está nessa situação, o medo é interno, um processo emocional, não um processo real. Você imagina que, se houver uma piscina rasa, pode ficar de pé nela, mas entra em pânico por causa do que a água representa para você. Portanto, trata-se de um processo emocional, que precisa de terapia.

Um ouvinte pergunta: "Sinto medo de falar em público, mesmo que o público seja pequeno e conhecido, como é o caso da minha sala de aula. Fico muito nervoso ao apresentar um trabalho. Isso é uma fobia?" Há pessoas que realmente não conseguem falar em público, mesmo em grupos pequenos. Às vezes há três ou quatro pessoas e o indivíduo não consegue integrar o grupo e falar algo. Na sala de aula, a situação é ainda mais complicada. Você fica na frente, todos esperam e há uma expectativa sobre o que você vai dizer. Você será avaliado, com certeza.

Há professores realmente muito engraçados. Lembro-me de um, da época em que eu fazia cursinho. O professor era baixinho, muito agitado e brincalhão; pegava o giz e, com ele, acertava quem queria. Era muito engraçado: pulava na frente, gritava, sapateava, fazia declarações de amor e tudo o que se imaginava. Era muito desinibido. Isso é uma questão de trabalho interno. Você tem medo de falar em público, mas pode resolver isso. Não pense que não consegue. Invertendo a situação, você passará a ter prazer em falar. Quando vê o público aguardando, percebe que tem capacidade de transmitir conhecimento e discernimento, fazer as pessoas rirem e aliviar a tensão de todos. Isso é legal e bom, basta trabalhar a questão e, se necessário, buscar alguém que possa ajudar.

Se você perceber que a dificuldade é muito grande, que não consegue vencê-la pela vontade do seu ego, precisa buscar alguém que o oriente ou fazer algumas sessões de terapia, para descobrir se a situação não é ainda pior ou se está ocultando outra dificuldade. O medo de falar em público se manifesta como somatização. Você pode sentir dor no pé, na perna, nas costas ou na garganta; quando a pessoa tem esse medo, costuma perder a voz. Antes de começar, ela já percebe a perda da voz. No dia anterior pode surgir algum problema. Você está muito nervoso. Assim, o processo psicológico impede a fala em público. Em situações de terapia, a pessoa pode chegar atrasada ou não conseguir comparecer devido a resistências internas.

Ela chega atrasada, não vem no dia e confunde as datas; isso tudo acontecerá mesmo. São coisas internas do nosso inconsciente que evitam que você sofra ou entre em angústia ao fazer algo assustador. Acredito que isso pode ser tratado: procure alguém que o ajude e oriente. Essa situação tem solução. Tenho dificuldade de falar a respeito de mim. Esse caso é antigo. Com meu namorado, a conversa gira em torno de assuntos externos; está tudo ótimo, mas fico totalmente travada quando a conversa volta para mim, para os aspectos da minha pessoa. Gostaria de saber por que isso acontece e se há um jeito de mudar, pois já causou muito mal-estar entre mim e meu namorado.

É preciso observar o que se esconde e o que você tem medo que descubram sobre você. Isso normalmente está relacionado à primeira fase da vida, quando somos crianças de zero a doze ou treze anos. Nessa idade podem ocorrer situações das quais a criança não tem condições de se defender, pois ainda não tem noção da vida. Um garotinho de onze ou doze anos pode ser maltratado, ter alguém gritando com ele, ser molestado, sofrer diversas situações, e ele não sabe o que fazer; não tem condições. Depois, isso fica dentro dele como algo muito ruim, porque imagine estar em um grupo de pessoas e pensar que elas sabem o que aconteceu com você. Não precisa ser algo muito grave. Por exemplo, se foi agredido pelo pai, isso permanece como uma marca feia, algo sujo.

Se você está tomando banho e deixa a porta do banheiro aberta, seu pai entra e diz: "Você deixou a porta do banheiro aberta!" e lhe dá a maior bronca. O resultado é que ficar nu passa a ser algo constrangedor. Existem várias situações que podem acontecer. Nós não temos noção de como isso é delicado e de como os nossos pais, principalmente, e as pessoas que estão ao nosso redor afetam nossa vida e nossa continuidade.

Pense no que você teme que os outros saibam. Talvez você se lembre ou lhe venha à cabeça alguma situação que não foi boa. Reflita sobre o que pode ser. Tenho algo a contar, pois acho que muitas pessoas não sabem. Minha primeira experiência foi aos sete anos de idade. Eu saí do corpo, vi meu corpo numa rede; ao lado estava meu irmão. Andei pela casa flutuando, totalmente tranquilo, sem problema nenhum. Quando tentei falar com meu pai e minha mãe, eles não respondiam; isso não me assustou. Voltei, passei pelo quarto, atravessei a parede e fui para o lado de fora, onde havia uma varanda.

Nossa casa era de madeira. Fui até a frente da casa, onde havia várias pessoas conversando, como de costume. Existem determinados tipos de comportamento em cidades do interior; há 50 ou 40 anos, era muito diferente de hoje. O pessoal costumava conversar à noite, batendo papo depois do trabalho. Observei aquele grupo conversando e, de repente, voltei para o corpo.

Voltei para o corpo, levantei da rede e procurei um papel para anotar o que havia acontecido. Anotei minha primeira experiência, que marcou a minha vida. Por que ela marcou a minha vida? Porque, a partir daí, passei a ter experiências de projeção astral todas as noites, e eu as anotava. Naquela época usava lápis e caneta de pena; era diferente. Lembro que existiam canetas tipo compacto. Todos os dias fazia minhas anotações com lápis em papel de pão e as escondia, pois ninguém podia ver o que eu escrevia. Como resultado, ao longo da vida, tive inúmeras experiências de projeção astral e de corpo mental. A partir dessas experiências, foi fundado o Centro de Estudos da Consciência.

Questões levantadas pelo material

  • Por que tenho tanto medo de água?
  • Como lidar com o medo de falar em público?
  • O medo de falar em público pode causar sintomas físicos?
  • Como o inconsciente nos impede de enfrentar nossos medos?
  • Por que travo quando tento falar sobre mim?

Palavras-chave

medoterapiasomatizaçãoinfânciaprojeção astral

Como citar

ESAGÜI, Moisés. Medos que nos paralisam. Amparo: Centro de Estudos da Consciência, 16 jun. 2025. 1 podcast (11 min 30 s). Disponível em: https://centrodeestudos.org/acervo/medos-que-nos-paralisam/. Acesso em: 6 nov. 2026.