Resumo
A reencarnação repete vivências com o corpo físico, mas quase não produz evolução por si só. As informações se perdem com o trauma da morte, enquanto os processos emocionais criados diante de ameaças passam de uma vida para outra. A consciência pode continuar ancorada nos chacras emocionais e até regredir emocionalmente. Evoluir exige esclarecimento e esforço individual para rever referências com sinceridade e cautela, assimilar o aprendizado aos poucos e mudar o comportamento, respeitando o outro. Após a morte, cada pessoa se depara com o que é e com consciências no mesmo nível; arrependimento ou bênção final não desfazem essa construção nem substituem o esforço de mudar.
Transcrição da fonte
Foram identificadas 122 questões sobre reencarnação entre os e-mails recebidos. A pergunta que se repete cerca de seis ou sete vezes é: o que é reencarnação? Reencarnação é um processo de repetição humana de vivências com a utilização do corpo físico. O espírito chega à Terra pela primeira vez, vive uma vida física, morre – ou, melhor, perde o corpo físico –, permanece no mundo espiritual e reencarna, iniciando assim o processo.
Fica no corpo físico, morre, e vamos fazendo isso indefinidamente até que encontremos esclarecimento e, de verdade, nos tornemos uma consciência livre. Por que reencarnar? É um processo repetitivo. Imagine ter vindo para cá há 5 mil anos. É só suposição, mas temos muito tempo aqui nesta Terra. Vamos supor que, como espírito, você começou a reencarnar há 5 mil anos. Como você vai sair desse processo se não encontra ninguém que lhe diga que a reencarnação existe? Já pensou ser convencido de algo que não vê? A reencarnação é um processo repetitivo; precisamos esclarecê-lo para evitar que você continue repetindo isso.
É muito difícil pensar que essa situação possa acontecer. Imagine há três, quatro, cinco, oito mil anos, quando não tínhamos nenhuma noção, nem do nosso relacionamento uns com os outros, quanto mais do conhecimento da espiritualidade e dos espaços mais sutis da consciência. Isso é algo sério. Já que isso não aconteceu desde a primeira vez que você chegou aqui na Terra, você vai repetindo, acrescentando ao seu percurso explicações das mais variadas sobre o que está à sua volta.
Precisamos, de fato, de alguém que seja poderoso e que possa nos livrar do nosso sofrimento, porque há muitas coisas que não conseguimos entender e, principalmente, resolver. O resultado disso é que já queremos criar um deus poderoso, alguém que seja a solução, onipotente, onipresente e que atenda ao nosso pedido.
Estou muito mal de saúde. Se você me ajudar, farei uma promessa. Você começa a fazer trocas com alguém que você não enxerga; não digo que esse alguém não existe, apenas que você não o vê. A forma como Deus foi confeccionado por nós, humanos, não corresponde à consciência universal. Essa consciência transcende tudo o que podemos imaginar e, do meu ponto de vista, não está à nossa disposição para aliviar dores de barriga, dificuldades afetivas, perdas de emprego e outras situações nas quais invocamos Deus como se Ele não tivesse nada a fazer.
Ele está à disposição para que, quando eu tiver um problema emocional, eu possa dizer: "Olhe, senhor, estou com tal problema; o senhor pode me dar uma força, me ajudar?" Ele responde: "Claro, Moisés, estou à sua disposição." Imagine que, se não conseguimos dar conta da nossa vida, da nossa rotina diária – algo muito simples –, como pode uma consciência dar conta do universo e equilibrar todas as coisas que desequilibramos? Se deixássemos o nosso planeta sozinho, sem gente aqui, ele certamente estaria em uma condição diferente da que está agora. Estamos acabando com a água, com a vegetação; estamos transformando tudo em coisas piores por causa da nossa ignorância.
Mas estamos falando de reencarnação. Você nasceu pela primeira vez. As coisas que acontecem à nossa volta estão muito ligadas à nossa continuidade. Na sua primeira reencarnação você vai disputar comida, vai disputar uma parceira ou um parceiro. Se você for uma consciência em um corpo feminino, pode querer disputar um parceiro; se estiver em um corpo masculino, vai disputar uma parceira. Então haverá agressão, mordida, paulada. Haverá coisas que machucam, mas que também podem destruir você. Se uma pessoa o ferir de forma muito violenta, você pode morrer. Assim nasce um componente absolutamente importante no nosso processo reencarnatório.
A ameaça de destruição e a perda da continuidade fazem com que você comece a criar recursos para se proteger. Observe como o processo se desenvolve. Essa história não termina aí, porque, de uma vida para outra, não se leva a informação, já que a perdemos pelo trauma da morte. A morte é algo terrível; ainda a considero terrível, mas antes era muito pior. Existia um cerimonial muito específico, com inúmeras histórias e explicações. Quando alguém morria, por exemplo, se fosse um faraó, atravessava com a barca o rio da morte para encontrar Deus. Tínhamos narrativas para tudo, a fim de justificar o medo que sentimos pela falta de continuidade. Assim, procurávamos resolver essa questão.
Trata-se da ressurreição, de ressuscitar e tudo mais. Mas voltemos ao ponto que estou abordando. A ameaça é importante porque cria nossos processos emocionais, que são os que transitarão de uma vida para outra. Na primeira vida, você já teve alguma ameaça; na segunda, essa marca permanece com você.
Se alguém disser que a psicologia, a psicanálise, a psiquiatria e os estudos do comportamento humano não são importantes, eu afirmo que você pode questionar, porque eu também posso estar errado. Contudo, considero que nossos processos emocionais são importantíssimos, pois são a única coisa que se leva de uma vida para outra. Não se pode deixar de ser o que se é. Não é possível, em uma vida, ser uma pessoa primitiva e, na outra, ser uma pessoa evoluída. O processo continua; você sempre se encontra com o que é.
E tem que haver um jeito disso acontecer. Claro que tem. Somos atividade, somos chacras, trabalhamos com os nossos chacras. Esses chacras contêm algo muito importante: a nossa consciência. A tua consciência, que é uma estrutura energética, manifesta-se mais em um determinado chacra e começa a se manifestar na vida trabalhando no chacra básico; depois sobe, passa pelo cardíaco, vai para o frontal, para o coronário, continuando a subir.
Isso deveria acontecer, mas em uma vida não conseguimos, por ignorância, fazer esse percurso. Não passamos do terceiro chacra. Se considerarmos o chacra básico, esplênico ou hepático, que está ao lado do umbilical, não saímos desses chacras. Os chacras emocionais são nossa âncora. Assim, se você não consegue sair ao transitar de uma vida para outra, além de não ter saído, fica imerso numa família que permanece nesses chacras e que o manterá aprisionado nessa história.
De uma vida para outra, quanto você evoluiu? Do meu ponto de vista, a gente não evolui quase nada consciencialmente, porque ficamos repetindo e podem acontecer coisas que nos fazem regredir emocionalmente. As pessoas vão fazendo o percurso de nascimento e morte, nascimento e morte. Temos um pequeno detalhe que precisamos entender: nesse processo não estamos evoluindo. Se você quiser evoluir, terá que acrescentar mais um item, que é o esforço individual. Esse esforço não pode ser aquele esforço emocional infantil e imaturo.
É preciso fazer uma revisão interna sincera, na qual você possa observar quem é e o que aprendeu, questionando tudo com honestidade, mesmo que isso lhe tire referências. Não é simples, pois alguns referenciais estão tão enraizados que, ao serem removidos, deixam um vazio imenso. Resolver isso é ainda mais difícil. Portanto, devemos agir com cautela.
O trabalho espiritual é um caminho que trilhamos aos poucos, aprendendo, revisando, questionando, para que não se torne muito doloroso. A menos que você queira enfrentar algumas questões de forma definitiva — o que não aconselho —, precisamos de tempo para digerir o que aprendemos; assim, você resolve as coisas talvez até mais rápido. Contudo, tentar resolver tudo por decreto não é uma boa ideia. Vamos pensar nisso com calma.
E por que precisamos voltar para cá? Reencarnar, se vamos para o céu, que é muito melhor? Quando morremos, encontramos o que somos. Não se pode inventar outra história. Se fosse possível ir para um lugar melhor, já o faríamos aqui na Terra, tornando o planeta muito melhor. Não funciona desse modo. Alguns pensam: "Faço o que entendo e, no último momento, faço uma oração, arrependo-me e tudo muda do outro lado". Por quê? "Porque as consciências mais evoluídas estarão me esperando, já que me arrependi." Não funciona desse modo.
Nós somos uma construção: ficamos melhores ou piores. Talvez você possa rever como realmente é emocionalmente. Você é mal-humorado? Tem agressividade? É passivo? Sente mágoas, ciúmes? Todas essas são características mais pesadas e negativas que não reconhecemos, pois acabamos arranjando desculpas para ser agressivos ou maus. Assim, para fazer coisas erradas, temos muitas desculpas. Um belo dia, no fim da vida, quando tudo já acabou, você diz: "Preciso me reconciliar". Então, trazer um religioso para que ele dê a bênção final e você possa partir para o outro mundo não funciona desse jeito.
O que acontece é que você vai se encontrar com o que você é. Se você não é uma pessoa equilibrada, feliz, saudável, é isso que você é. Você vai chegar ao outro lado; vamos supor que seja uma pessoa com dificuldades emocionais sérias, desequilíbrios, variação de humor, agressividade. O seu mundo do outro lado será esse, porque as consciências que estão lá, os espíritos que estão lá, não terão um corpo físico para defendê-los. Eles estarão todos no mesmo nível: é essa turma que você encontrará. Portanto, o melhor que podemos fazer é trabalhar muito o entendimento da espiritualidade para trilhar um caminho realmente bom, com menos sofrimento.
Este momento da nossa vida não permite perder tempo falando de forma vazia. Não podemos dizer que depois consertaremos as coisas; isso não funciona. Se deixarmos o tempo passar, não melhoraremos, pois falta esforço. Pensamos que ajudar uma pessoa na rua, alguém em dificuldade, seja um ato de bondade, mas isso é dever. Devemos fazer o melhor possível o tempo todo. Melhor significa mudar o comportamento e respeitar o outro.
Você está no trânsito, por exemplo, e a pessoa vem devagar na sua frente; você já começa a xingá-la, a ofendê-la. Um monte de coisas. Sabe por quê? Você acha que está certo. Então continua assim e, quando chegar do outro lado, estará com essas pessoas que acreditam estar certas. É isso que vai acontecer. E você pensa: "Nossa, estou num lugar horrível! Então, Deus, ajude-me". Não haverá para quem pedir ajuda. Sabe por quê? É responsabilidade sua ser melhor ou pior. Devemos aproveitar a oportunidade para sermos melhores do que somos. Depois de perdida, essa oportunidade não pode ser recuperada. Só há uma coisa que não se recupera de jeito nenhum: o tempo. Tempo perdido é tempo perdido. Portanto, vamos trabalhar nisso.
Questões levantadas pelo material
- Por que a reencarnação não garante evolução espiritual?
- O que é reencarnação?
- O que levamos de uma vida para outra?
- Como o estado emocional influencia a vida após a morte?
Palavras-chave
Como citar
ESAGÜI, Moisés. Entendendo a Reencarnação. Amparo: Centro de Estudos da Consciência, 3 jul. 2024. 1 podcast (16 min 27 s). Disponível em: https://centrodeestudos.org/acervo/entendendo-a-reencarnacao/. Acesso em: 3 nov. 2026.





