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Lidando com a Ansiedade — Spotify do Acervo CEC

Narrado por Moisés Esagüi12 min de leitura

A terapia é um caminho para compreender o processo individual da ansiedade e desarmar a estrutura que causa a angústia.

Lidando com a Ansiedade
Podcast · 21 min 2 s · Ouvir no Spotify

Resumo

A ansiedade se relaciona ao descompasso entre a realidade externa e o tempo e o espaço internos, assim como à contaminação emocional pela convivência com pessoas ansiosas. Também pode ser uma organização defensiva ligada a vivências recalcadas. Como esse processo inconsciente funciona automaticamente, controlá-lo exige esforço contínuo. A terapia busca compreender e desarmar a estrutura que causa a angústia e se apoia na confiança e na aliança terapêutica. Nesse trabalho, cada pessoa precisa descobrir o que sustenta sua ansiedade, sem uma resposta única para todos.

Transcrição da fonte

O comportamento está sempre junto da espiritualidade, porque tudo o que nós somos influencia nossa manifestação e nossas energias. Conforme vamos entendendo um pouco mais todas as nossas características, aquilo que somos, também vamos conseguindo dar passos e conquistar coisas dentro do nosso percurso espiritual com muito mais consistência, coerência e sentido.

Podemos ter percepções de toda essa espiritualidade que está à nossa volta. No final das contas, ficamos distantes dela pelas demandas e por tudo aquilo que também aprendemos no dia a dia. Trata-se de fazer essa conexão com aquilo que, de verdade, faz a nossa vida acontecer, mas que não enxergamos. O que você pode enxergar com a clarividência? O duplo etérico, que é a camada de energia que fica próxima ao nosso corpo, que o sustenta e nos vitaliza. A aura, que é o nosso campo energético ao redor do corpo e que também expressa nossos estados emocionais, nossos pensamentos e nossos chacras. Você pode também ter percepção da manifestação de consciências, como amparadores espirituais e pessoas que o acompanham, que podem ser parentes próximos.

É interessante porque, em um ambiente em que você está sendo guiado, você se sente mais seguro. Isso é muito diferente de quando estamos em casa sozinhos, fazendo práticas de clarividência e com receio daquilo que possamos ver. Em uma atividade em grupo, todos estão juntos, um dando suporte ao outro, o que também traz segurança. São várias técnicas: técnica facial no espelho, em dupla, percepção de energia da natureza, percepção de energia das mãos e visualização do duplo etérico.

O nosso mundo sofre desse mal da ansiedade. Você que está me ouvindo, se tiver por volta de 60 ou 70 anos, talvez possa relembrar que, há muito tempo, não existia tanta informação e tanta velocidade. Imagine que você trabalhava em algum lugar e ia a pé para o trabalho, tranquilamente. Você acordava, podia ter uma hora para tomar o seu café tranquilamente e depois andava cinco minutinhos a pé e já estaria no seu trabalho. Depois vinha almoçar em casa, voltava para o trabalho, trabalhava de novo, voltava para casa e ia fazer tudo o que precisava.

Era um tempo diferente, em que as distâncias eram menores. A população da nossa Terra também era bem menor. Se você acompanhar a população da Terra, vai descobrir que estamos com seis bilhões e setecentos milhões de habitantes. É muita gente, muita gente mesmo. O nosso planeta tem uma densidade demográfica de mais ou menos 2,7 pessoas por quilômetro quadrado. Você fala: "Nossa, tem tudo isso?" Pode parecer pouquinho. Eu me lembro de que, antes, na Amazônia, não dava uma pessoa por quilômetro quadrado. Agora as coisas estão mudando, a população está aumentando e, quando a população aumenta, as distâncias aumentam, porque não dá para todo mundo morar no mesmo lugar.

Você vai morando cada vez mais longe e, normalmente, tudo aquilo de que precisa, o grande centro onde há consumo e trabalho, vai ficando longe. O centro de consumo normalmente é o centro da cidade, as áreas industriais, as áreas de shopping, essas coisas. Você vai ter que se deslocar. É óbvio que, se a distância aumenta, você começa a afetar o seu tempo e o seu espaço internos. Surge uma dissonância entre o espaço real que existe fora e o espaço interno em que você precisa que as coisas aconteçam. Se você estiver anotando isso, vai ver que o meu raciocínio tem lógica. Você pode perguntar: "Puxa, mas como é que pode isso? A gente tem um espaço interno?" Sim, esse seu espaço e esse seu tempo internos estão funcionando o tempo todo.

Você acaba se utilizando desse espaço e desse tempo internos para fazer avaliações e também os usa como referenciais para as coisas que vai fazer. O resultado é que esses referenciais internos e a realidade externa nunca batem, e você vai ter o que chamamos de ansiedade, que pode ser chamado de transtorno de ansiedade. Você vai para o trabalho e sai uma hora antes. Essa hora vai passando e você fala: "Não vai dar tempo, não vai dar tempo, não vai dar tempo". Você vai ter uma dificuldade muito grande de lidar com o tempo real e o seu tempo interno, porque um dos dois está acabando. Às vezes, o nosso tempo interno acaba muito mais rápido do que o tempo real, e entramos numa angústia profunda.

Uma ouvinte escreve: "Todos os dias, quando vou para o trabalho, me sinto muito ansiosa. Parece que vai acontecer algo. É como se alguma coisa estivesse me ameaçando. Isso é sempre. Já fiz terapia durante dois anos, mas não resolveu. Preciso resolver isso. Está me causando muito sofrimento. Gostaria que você me explicasse que caminho eu poderia tomar".

As nossas organizações defensivas podem se apresentar de várias formas. A ansiedade é uma delas, mas veja o que você está me relatando: "É como se alguma coisa estivesse me ameaçando". Parece que vai acontecer algo. Esse tipo de ameaça interna é uma ameaça emocional, não é uma ameaça real. Eu penso que ela acontece devido a algum fato da sua vida ou a vários fatos, ou a um fato e às derivações desse fato.

Nós nos constituímos internamente para continuar, para ter uma vida em que possamos produzir algumas coisas. No percurso da nossa vida, podem acontecer fatos que vão interferir em tudo o que fazemos. Para que possamos dar continuidade, criamos situações defensivas que funcionem para que possamos ir em frente. Fazemos isso para dar continuidade ao nosso aparelho psíquico e ao nosso aparelho físico. Então, quando você sente que alguma coisa está ameaçando você, precisa ver se isso aconteceu em algum momento da sua infância ou da sua adolescência. Você pode ter ouvido coisas, pode realmente ter acontecido alguma coisa que a traumatizou, alguma coisa que você recalcou e que, de repente, está presente quando você vive alguma situação.

Aqui você está falando, por exemplo, de trabalho. Deve haver outras situações em que você se sente ameaçada, em que não se sente segura. Mas, para que eu possa explicar isso a você, precisaria estar com você. Precisaria que fizéssemos um trabalho juntos para que você se descobrisse, se organizasse de forma tranquila e até desarmasse essa mina de efeito retardado que está aí dentro de você. Ela foi colocada em algum momento da sua vida e, de repente, agora aparece e a incomoda.

Você disse que fez terapia. Eu penso que, quando fazemos uma terapia, primeiro precisamos entrar em terapia. Entrar em terapia é realmente ter uma aliança terapêutica com aquele que vai nos atender. Muitas vezes, você tem um terapeuta, e eu estou incluído nisso também, não estou falando de ninguém em particular, mas não consegue encontrar nessa pessoa alguém com quem possa de verdade se ver, se abrir e criar uma aliança terapêutica. É poder falar assim: "Puxa vida, estou caminhando junto com ele, ele está me ajudando, eu confio". Precisamos confiar na pessoa; isso é importante para que você possa, de verdade, fazer um caminho. Mesmo que a gente fale: "Não, eu confio", alguma coisa que a pessoa fala, alguma coisa que a pessoa é, pode tirar essa confiança de nós.

Eu penso que essa confiança é muito importante. Por isso, quando vou atender alguém, faço sempre uma entrevista inicial, bato um papo com aquela pessoa para ver até se existe uma empatia. Isso é bastante importante. Precisaria saber mais sobre você para dizer que essa coisa que está causando sofrimento está em algum lugar e que precisamos trabalhar isso.

Não se trabalha isso com uma resposta única, porque podem ser vários os motivos que levaram você a sentir uma ameaça no ar. O que você está falando é mais ou menos a mesma coisa que acontece com aquela pessoa que quer fazer algo e sente que existe uma barreira, mas não entende qual é a barreira, não sabe o que atrapalha. Ela fala: "Nossa, eu tento fazer, mas é como se tivesse uma coisa invisível me atrapalhando". Isso precisa ser descoberto, precisa ser desarmado. Você precisa enxergar isso com clareza para resolver a questão. Nesse caso, acho que precisaríamos fazer uma terapia, alguma coisa assim, para que pudéssemos enxergar melhor. Não quero ser uma pessoa superficial e começar a dar uma resposta aqui que, tenho certeza, não vai ser exatamente aquilo de que você precisa.

Outra ouvinte pergunta: "Queria que respondesse algo que muito me aflige, senhor Moisés. Comecei a sofrer de transtorno de ansiedade e meus pais sempre foram assim. Conforme fui crescendo, isso só foi piorando e nunca soube como lidar direito com isso. Já tentei praticar meditação, mas, para mim, foi insuportável. Que caminho eu posso fazer para melhorar? Além disso, o que muito me preocupa é que tenho um filho já de quatro anos e não quero que ele fique como eu".

Essa pessoa realmente está preocupada, porque a ansiedade é assim: se você convive com uma pessoa que tem ansiedade, acaba ficando ansioso. Isso é bem interessante, e você, meu ouvinte, há de concordar comigo. Conviva com uma pessoa muito bem-humorada e você acaba ficando bem-humorado. Começa a enxergar graça nas coisas em que não via. Conviva com uma pessoa mal-humorada e você acaba ficando negativo e mal-humorado. É assim que essas coisas pegam: você vai convivendo e essa contaminação emocional acontece.

Se você conviver com pessoas criativas, fica criativo, começa a enxergar a vida de outro jeito. Isso é importante. Então, você tem razão, sim, porque, no momento em que convive com uma pessoa ansiosa, acaba ficando ansioso também. É a mesma coisa que conviver com alguém que é comilão: você começa a entrar nisso, não tem jeito. Você tem toda a razão.

Só que, para cuidar do transtorno de ansiedade, é bom que você faça uma terapia. Você vai ter que entender como acontece esse processo para que dê conta dele, senão vai tentar resolvê-lo por uma coisa que chamamos de controle: "Vou controlar a minha ansiedade". Controlar a ansiedade é fazer um gasto de energia desnecessário, porque, toda vez, você vai ficar tentando se controlar. Imagine quanta energia vai ter que gastar para sustentar uma posição, enquanto esse processo que está dentro de você, no seu inconsciente, não para de funcionar, é constante.

A ansiedade não para, não faz assim: "Vou trabalhar duas horas, depois dou um descanso e aí volto". Não, não tem horário de trabalho para a ansiedade. Ela é um processo interno que está automatizado e fica funcionando o tempo todo. Essa ansiedade é a tentativa de alguma coisa angustiante que quer sair de você, e ela vai ficar tentando sair mesmo.

Aí você resolve fazer o controle. Vai ter que ficar controlando, 24 horas por dia, um processo que é automático, não é verdade? Eu não acho que isso seja viável. Quando a pessoa fala: "Nossa, agora eu vou me controlar", vai gastar energia. Você está empreendendo uma guerra com um processo que é automático e que simplesmente tem uma força muito grande.

Imagine o seguinte: pegue uma bola de ar bem grande, dessas de plástico, enfie na piscina e fique segurando. Se você quiser que ela fique submersa, vai ter que ficar fazendo força o tempo todo para ela não subir, não é verdade? Agora imagine o gasto de energia que vai ter para manter essa bola embaixo. Mesmo que você esteja apoiado, vai ter que fazer força. A bola naturalmente quer sair. Ela não está fazendo força, é você que está fazendo força. Você concorda?

A bola é exatamente o seu recalque, a sua dificuldade que está lá no seu inconsciente, que se transformou em alguma coisa e, nesse caso, se transformou em ansiedade, e que precisa sair. Você vai ter que dar conta dela de duas formas: uma é fazendo um esforço para controlar essa ansiedade; a outra é descobrindo essa ansiedade e desarmando toda essa estrutura que causa essa angústia. Aí a coisa vai ficar tranquila, você não tem mais o problema. Em vez de sofrer de ansiedade, você vai ser uma pessoa que não tem o problema e que vai poder agir com toda a tranquilidade e com a mente muito clara.

Eu sugiro que você faça uma terapia, até com o seu filho, se for o caso. Ele precisa entender isso, e você também. Então pense nisso, porque você diz que quer saber o caminho que pode fazer para melhorar. Eu penso que o caminho para melhorar é uma terapia. Você vai poder fazer essa terapia e resolver essa questão. Tem cura isso. Quando tentamos encobrir alguma coisa que está acontecendo, eu penso que não resolve muito.

É mais ou menos como consolo e esclarecimento. A pessoa está passando mal, você consola e fala: "Não, mas vai ficar tudo bem, fique tranquila". Mas você não resolve a questão, só põe panos quentes. Esclarecimento é dizer para a pessoa: "Olha, isso funciona assim, assim, assim. Você vai sofrer, vai ter que lidar com isso, não é verdade?" A pessoa tem que passar por aquilo. Eu penso que é a mesma coisa quando não enxergamos o que realmente está acontecendo.

A ansiedade precisa ser vista como realmente é dentro de cada um. Em cada um, é um processo diferente. Sempre que você tem ansiedade, desenvolve um mecanismo de controle; você sempre vai desenvolver. Para sobreviver, vai fazer isso. Internamente, você começa a fazer a coreografia da manutenção da sua continuidade, tentando fazer com que as coisas fiquem melhores. Quando estiver sozinho, pode ficar ansioso, mas, quando está diante de alguém, tende a exercer um controle. Não tem jeito. Se, por exemplo, você tem ansiedade e começa a entrar num sofrimento, está fazendo uma tentativa de controle da ansiedade.

Às vezes, esse controle fica imperceptível mesmo, mas você tem sofrimento. Sofrimento indica que existe uma contraposição, e a contraposição é o controle. Pode ser outra coisa também, mas aí precisaríamos de mais tempo.

Questões levantadas pelo material

  • Como lidar com a ansiedade sem depender do controle constante?
  • Por que a sensação de falta de tempo pode causar ansiedade?
  • Por que a ansiedade causa sensação de ameaça sem perigo real?
  • Por que confiar no terapeuta é importante para tratar a ansiedade?
  • Conviver com pessoas ansiosas pode aumentar minha ansiedade?

Palavras-chave

ansiedadeterapiamecanismos de defesainconsciente

Como citar

ESAGÜI, Moisés. Lidando com a Ansiedade. Amparo: Centro de Estudos da Consciência, 10 jun. 2026. 1 podcast (21 min 2 s). Disponível em: https://centrodeestudos.org/acervo/lidando-com-a-ansiedade/. Acesso em: 5 nov. 2026.