Resumo
O crescimento espiritual depende de mudanças verdadeiras e duradouras. Mudar exige que a motivação supere obstáculos como padrões aprendidos, pressões familiares e espirituais, medos, mecanismos de defesa e prazeres ligados aos vícios. O sofrimento pode impulsionar essa mudança gradual, que exige responsabilidade pessoal, firmeza sem agressividade e respeito às escolhas diferentes. O crescimento aparece em reações mais estáveis e na capacidade de gostar das pessoas apesar das diferenças. A autoavaliação deve comparar nossas reações atuais com as do passado, reconhecendo com sinceridade o que ainda precisamos mudar.
Transcrição da fonte
O tema de acelerar nosso processo de evolução é fundamental: aproveitar esta encarnação para o crescimento espiritual, não apenas ter contato com a espiritualidade para sanar curiosidades, mas crescer. E crescer implica mudança. Mudar não é fácil, mas também pode ser. Frequentemente, quando falamos de comportamento, as pessoas relatam dificuldades em mudar certos hábitos. Algumas mudanças parecem fáceis. Por que algumas atitudes são simples de alterar enquanto outras permanecem inalteradas por anos? Entender os processos envolvidos é importante. Nosso objetivo é aproveitar ao máximo esta encarnação valiosa, sem desperdiçá-la como provavelmente já fizemos em outras vidas.
Quando falamos em mudança, referimo-nos a mudanças verdadeiras. Muitas vezes, sentimos que damos um passo à frente e recuamos um, sem sair do lugar; às vezes a sensação é pior, um passo à frente e dois atrás, criando um ciclo difícil de romper. Cada um enfrenta dificuldades diferentes, mas evolução e mudança caminham juntas. Não há crescimento sem mudança. Trata-se de mudanças efetivas, não apenas temporárias. É fácil decidir emagrecer, mas é difícil manter essa mudança. A questão é: por que é tão difícil mudar de fato? Na minha visão, é muito difícil fazer mudanças reais. Nascemos em famílias com padrões semelhantes aos nossos, e somos criados dentro desses padrões, que nos parecem normais.
Desde pequenos, vemos comportamentos como brigas, agressividade, passividade, exageros alimentares e outros hábitos como normais. Crescemos com crenças que nos constituem. Quando saímos para o mundo, encontramos grupos que compartilham nossos interesses e hábitos. Um dia, podemos ter acesso a novos conhecimentos ou experiências que nos fazem questionar esses padrões — pode ser um vídeo, um livro ou qualquer material que nos desperte para a possibilidade de que o que vivíamos não era saudável.
Ao encontrar pessoas que vivem de forma diferente, podemos decidir tentar algo novo. Isso não é fácil, especialmente quando envolve romper com crenças familiares ou religiosas. A dificuldade começa ao tentar ser diferente de tudo o que nos formou. Além dos grupos físicos, fazemos parte de grupos espirituais que acreditam em nossas crenças. Quando decidimos explorar uma espiritualidade mais aberta, como frequentar um centro espírita ou praticar Reiki, enfrentamos obstáculos.
Muitas vezes, não são assediadores, mas nossos próprios grupos familiares tentando nos manter no caminho que acreditam ser o certo. Essas dificuldades se aplicam a várias áreas da vida. Por exemplo, em uma família tradicionalmente carnívora do Rio Grande do Sul, decidir ser vegetariano pode ser um desafio. A pressão familiar e espiritual pode ser intensa, questionando nossa saúde e escolhas.
É preciso diferenciar o assédio, aquele que quer prejudicar, do simples não saber, a ignorância do não saber. Cada pessoa age conforme suas crenças. Muitas vezes, comportamentos nos causam sofrimento — e esse sofrimento, por vezes, atua como um "amigo", nos chacoalhando para buscar conhecimento e mudança. Repetimos padrões de comportamento por várias encarnações sem progresso. O sofrimento nos impulsiona a querer fazer diferente, iniciando um estudo de nós mesmos.
Ao decidir mudar, enfrentamos a necessidade de mobilizar nossas energias. Seja para realizar um sonho ou uma tarefa diária, tudo depende dessa mobilização. Uma pessoa em depressão, por exemplo, tem dificuldade em mobilizar energia e vitalidade. A mudança requer motivação e a identificação do que nos impulsiona. Decidir parar de comer carne ou praticar projeção astral diariamente demanda uma motivação clara.
A mudança é como uma balança com dois pratos: de um lado, a motivação; de outro, os obstáculos internos e externos. Quando a motivação supera os obstáculos, a mudança acontece. Porém, se os obstáculos pesam mais, a mudança não ocorre. É crucial identificar os elementos que compõem esses obstáculos. Muitas vezes, há uma influência espiritual significativa, mas não devemos culpar apenas os espíritos ou terceiros. Cada um tem uma realidade energética e espiritual única.
A composição social, especialmente a família, tem um peso significativo. Todos nascemos em um grupocarma, e essas relações não são por acaso. Nossa origem espiritual impacta nossa vida, e é importante entender como isso influencia nossas dificuldades e medos. Muitas vezes, mecanismos de defesa internos nos impedem de mudar, gerando sensações como preguiça ou sono. Esses mecanismos inconscientes atuam constantemente, dificultando a mudança.
Para superar essas barreiras, é essencial analisar nossas dificuldades e medos. A mudança pode gerar medo de perder relações, amigos ou até o casamento. À medida que mudamos, podemos nos aproximar de pessoas mais afins e nos afastar de outras. O medo do desconhecido pode nos prender a situações dolorosas, mas conhecidas. Preferimos o sofrimento familiar ao risco do desconhecido.
Por mais paradoxal que pareça, energias densas geradas por comportamentos negativos nos preenchem e nos dão uma falsa sensação de controle. O medo da solidão ou do vazio nos impede de abandonar o conhecido. Questionamos como seríamos sem conflitos ou brigas, e como seria seguir um caminho de paz e crescimento. Por trás de nossos comportamentos, existem medos que precisamos enfrentar para evoluir.
Existe o nosso prazer pessoal, que muitas vezes nos impede de parar com certos hábitos, como vícios. Quando fumo, não é apenas a espiritualidade que me acompanha, mas também eu mesmo. É importante não culpar apenas o ambiente familiar ou influências espirituais por nossos comportamentos. Precisamos reconhecer nossa responsabilidade e buscar formas de nos acalmar que não envolvam vícios, como fumar ou beber. A mudança é gradual e exige passos dados por nós mesmos. Com o tempo, nossos familiares, que compõem nosso grupocarma, podem perceber nossas mudanças e deixar de exercer pressão sobre nós.
É essencial mostrar a todos ao nosso redor qual é a nossa decisão e o caminho que escolhemos seguir. As mudanças podem parecer mais fáceis quando não estamos sintonizados com o grupo familiar. Quando estamos em um grupo muito similar, a sintonia torna mais difícil sair. No entanto, mesmo que não nos sintamos pertencentes, há um motivo para estarmos naquele grupo familiar.
Às vezes, podemos ter uma mentalidade mais aberta ou experiências de vidas passadas que nos fazem sentir diferentes. Isso é comum, e pequenas diferenças podem se tornar muito sensíveis quando somos o elemento divergente. É importante mostrar nossa força e decisão sem agressividade. Quando mudei minha alimentação para algo mais saudável, já sendo vegetariana, enfrentei resistência, pois as pessoas viam isso como radical. No entanto, ao respeitar as escolhas dos outros, também somos respeitados.
O segredo é caminhar juntos com respeito, sem críticas. Mostrar que nosso caminho é melhor pode gerar raiva, e lidar com isso é difícil. A aceitação mútua é o melhor caminho. Sobre se um dependente químico consegue mudar: é possível, mas o desafio é maior devido à condição desfavorável que as drogas causam. A mudança exige reunir energias de forma organizada, e o auxílio externo pode ser necessário. O nível e a intensidade do consumo influenciam os desafios enfrentados.
Uma questão importante é como ajudar pessoas que precisam de apoio energético e espiritual, mas que não têm consciência disso ou não pedem ajuda. A dúvida é se é possível ajudar alguém que não percebe a necessidade de mudança e se a receptividade da pessoa é importante para que a ajuda seja eficaz. É difícil intervir se a pessoa não está aberta. Compartilhar conhecimento ou espiritualidade pode ser inútil se a pessoa não estiver disposta a ouvir. É importante não ser invasivo e sentir se há abertura para ajudar, evitando gastar energia e gerar frustração.
Em São Damião, Moisés falou sobre a importância de aprender a gostar de todas as pessoas. A partir disso, refleti sobre a dificuldade de gostar de pessoas defensivas ou agressivas e sobre a importância de me questionar a respeito do que sinto em relação a cada um. O exercício do chacra cardíaco só é possível quando as diferenças externas não afetam nosso interior. Embora as diferenças entre as pessoas sejam inevitáveis, o desafio é não deixar que elas nos impeçam de gostar dos outros.
Dentro das diferenças que reverberam em nós, percebemos que ainda não estamos completamente unidos a nós mesmos. Tenho me esforçado nesse sentido, embora ainda existam muitos desafios. Seria ótimo poder afirmar que estou livre e liberta, mas também é gratificante reconhecer as diferenças internas. Antigamente, se alguém falasse mal de mim, eu poderia sentir insatisfação, mesmo tentando racionalizar de forma positiva. Recentemente, soube que alguém falou mal de mim de forma injusta, e minha reação foi de estabilidade emocional.
Pensei: "Como posso ajudar essa pessoa?" Isso demonstra crescimento, pois consigo comparar minhas reações atuais com as passadas. É essencial sermos sinceros conosco, reconhecendo que nem sempre reagiremos assim, mas é um exercício contínuo. Perguntar-se se gostamos de todas as pessoas é um exercício revelador. Imagine 10 pessoas à sua frente, cada uma representando algo diferente. Aceitamos 100% cada uma delas? Provavelmente não, pois ainda não temos essa competência, mas é possível alcançá-la. Este é um exercício que proponho a todos: será que conseguimos responder a essa pergunta? Quando estamos distantes de nós mesmos, achamos que conseguimos, mas a autodescoberta é um caminho longo.
Nossos medos nos fazem avançar lentamente, mas se tivermos certeza de que o desconhecido trará descobertas para nosso crescimento, daremos passos maiores. Nosso compromisso deve ser conosco, comparando como éramos e como somos. O outro pode ser uma referência, mas não deve influenciar nosso caminho. Devemos nos enxergar internamente, sem nos distrair com o que está ao redor.
Um bom parâmetro para autoavaliação são nossas reações às situações. Quando estamos estáveis, sem mudanças internas, conseguimos avaliar nosso progresso. Antes, reagíamos de forma brusca; agora, menos, até o ponto de não reagir. Nossas reações refletem nossa condição emocional. Sobre o uso de remédios controlados, não devemos ser radicais. Algumas pessoas precisam começar com medicação para melhorar sua condição. A ideia é sermos livres de tudo, mas se alguém está em uma situação difícil e busca ajuda profissional, o uso de remédios pode ser um passo consciente para a libertação. Não devemos medir tudo com a mesma régua, pois cada caso é único. Existem diferenças entre quem usa remédios por necessidade e quem é viciado.
Questões levantadas pelo material
- Por que alguns hábitos são tão difíceis de mudar?
- Qual é o papel da motivação na mudança de hábitos?
- Como o medo dificulta a mudança de comportamento?
- Como lidar com a pressão da família ao mudar de hábitos?
- Como avaliar meu crescimento espiritual?
Palavras-chave
Como citar
MURAD, Andrea; CABRAL, Patrícia. Por que é Difícil Mudar Alguns Comportamentos. Amparo: Centro de Estudos da Consciência, 9 maio 2023. 1 vídeo (35 min 54 s). Disponível em: https://centrodeestudos.org/acervo/por-que-e-dificil-mudar-alguns-comportamentos/. Acesso em: 8 nov. 2026.





