Resumo
A carência é um trambolho emocional resultante de várias situações e necessidades que se somaram ao longo da vida. Como sua origem exata não é identificada, direcioná-la a algo específico, como uma compra, não a elimina. Esse complexo só pode ser percebido por meio de uma busca no consciente e no inconsciente. A necessidade de adquirir e de se igualar a outras pessoas também cria carência: a mídia e a publicidade estimulam compras e uma competição desenfreada, alimentando continuamente a necessidade de gastar.
Transcrição da fonte
Moisés, você poderia me esclarecer se a carência que sentimos é única e apenas aparenta ser várias ou se são várias? Pergunto isso porque, se sempre sentimos carência de algo — sexo, compras, confirmação de ideias, afeto, entre outros — e conseguimos suprir essa necessidade, teoricamente não deveríamos senti-la novamente. No entanto, isso não ocorre. A carência parece persistir, como se fosse algo que não estamos identificando corretamente, ou seja, não estamos suprindo o que realmente necessitamos.
Ouvinte, vejo-me neste mundo como alguém que deve aproveitar ao máximo, mas sabemos que não conseguimos preencher todo o tempo de vida que temos. A carência é algo que não conseguimos detectar com clareza. Eu diria que é um trambolho emocional resultante de muitas coisas. Quando direcionamos nossa carência para algo específico, é apenas um direcionamento, mas ela pode estar presente em outras áreas também. Como não conseguimos identificar a origem exata dessa carência, quando compramos algo, não a eliminamos, pois é um buraco sem fundo. Não acertamos a carência em cheio.
A carência é um conjunto de situações e necessidades que precisam ser saciadas, mas que não têm um nome específico. Não podemos simplesmente dizer: "O nome da minha carência é tal" e resolvê-la. Podemos estar indo na direção errada. Quando fazemos muitas compras, tentamos resolver nossa carência, mas isso não acontece. Já contei sobre várias situações assim. Por exemplo, uma pessoa está no shopping, vê um sapato e decide não comprar. Dá a volta, retorna e acaba comprando, sem saber por quê, já que talvez nem use o sapato; se usar uma vez, já é muito. Ao chegar em casa, pode ter 100 pares de sapatos, alguns dos quais nem lembra por que comprou.
Isso é uma tentativa de preencher o buraco da carência que não identificamos, algo que só conseguimos perceber através de uma busca no consciente e no inconsciente. Essa carência nasceu em algum momento da nossa vida, não em uma situação específica, mas em várias que se somaram, formando um complexo de coisas.
Esse é um assunto bastante complexo, que merece muita conversa e reflexão. A carência no ser humano é algo criado pela necessidade de adquirir e se igualar a outras pessoas. As mídias repetem constantemente: "Compre isso, compre aquilo", criando uma competição desenfreada dentro de nós, e a própria publicidade fomenta essa necessidade de gastar dinheiro. Veja o exemplo dos celulares: você compra um, e em seis meses sai outro, e assim continua. É preciso refletir sobre isso, pois também é uma forma de carência.
Questões levantadas pelo material
- Por que a carência continua mesmo depois de satisfazer um desejo?
- Como a publicidade alimenta a carência?
Palavras-chave
Como citar
ESAGÜI, Moisés. Por que a carência continua após ser satisfeita?. Amparo: Centro de Estudos da Consciência, 1 nov. 2024. 1 vídeo (5 min 1 s). Disponível em: https://centrodeestudos.org/acervo/porque-a-carencia-continua-apos-ser-satisfeita/. Acesso em: 5 nov. 2026.





