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Relacionamento, dificuldades e desafios — Spotify do Acervo CEC

Narrado por Moisés Esagüi8 min de leitura

Dificuldades nos relacionamentos pedem clareza sobre o que se deseja, diálogo sincero, limites sem agressividade e trabalho interior.

Relacionamento, dificuldades e desafios
Podcast · 16 min 48 s · Ouvir no Spotify

Resumo

Dificuldades nos relacionamentos exigem clareza, diálogo e trabalho interior. Diante da solidão na vida conjugal, é preciso definir a vida desejada, organizar as emoções e conversar com o companheiro sobre dúvidas e necessidades antes de decidir. Ninguém é dono do outro: a união pressupõe ajuda mútua. Quando uma mãe controla o filho adulto, ele deve expor sua posição com firmeza, respeito e carinho, sem briga nem raiva. Aprender com as diferenças nos relacionamentos faz parte do propósito da reencarnação: evoluir até a liberdade consciencial. Esse caminho inclui fazer reajustes em si, com esforço contínuo e busca própria, sem se apoiar em rituais ou figuras de poder.

Transcrição da fonte

Senhor Moisés, tenho quarenta e um anos e, desde os dezoito, moro sozinha. Fui seguindo a minha vida dessa forma e acho que me acostumei desse jeito. Praticamente não tenho família; todos moram muito longe e não temos contato. Tive alguns namorados, mas nada que tenha durado muito. Há três anos conheci uma pessoa e acabei engravidando. Não achei que fosse uma boa ideia ter um filho, mas não sabia analisar se seria antiético abortar. Enfim, moramos há três anos: eu, meu marido e meu filho. Mas é como se esta vida não tivesse a ver comigo. Simplesmente não sei o que fazer. Não tenho com quem conversar. Será que devo continuar nisso para aprender ou devo fazer o que desejo?

Você tem quarenta e um anos e está com seu companheiro desde os trinta e oito, há três anos. O que você está dizendo, no fim das contas, é que se sente só. Conheceu uma pessoa, mas é como se não tivesse nada. Não tem um caminho, não tem objetivo, não tem as coisas definidas e organizadas dentro de si. Isso pode ser revisto.

Todos nós, quando fazemos o percurso desta vida, a intrafísica desta existência terrena — que considero uma oportunidade sem fim —, temos que aproveitar cada segundo. A única coisa que você não consegue recuperar é o tempo. Se perder um carro, pode comprar outro; se perder a casa, pode comprar outra. Mas o tempo não tem jeito: ele acaba com tudo, inclusive com a vida física. O tempo vai passando e observa você tranquilamente, porque, por mais que queira retardá-lo, a única coisa que fará na sua vida é, talvez, descobrir que não adiantou nada. Por isso, é importante aproveitar cada instante desta vida.

Você pergunta se deve continuar nisso para aprender ou fazer o que deseja. Penso que devemos saber o melhor caminho para nós. Embora você possa fazer o que deseja, é preciso escolher um caminho que equilibre toda a situação. Não acho que seja uma boa ideia, por exemplo, simplesmente abandonar seu filho ou seu marido. É necessário negociar essas questões, inclusive com o seu marido, contar a ele suas dúvidas e dificuldades e perceber se isso funciona. De repente ele pode surgir com ideias e pensamentos que você nem esperava.

Devemos tomar uma atitude apenas quando as coisas estão muito claras em nossa cabeça, para não termos depois arrependimento, tristeza, perda, infelicidade e não poder voltar atrás. Voltar atrás não é a mesma coisa. É bom pensar bem nas coisas que fazemos. Você afirma que mora junto há três anos e que essa vida não tem a ver com você. Que tipo de vida gostaria de ter para se sentir feliz? Avalie a possibilidade de conversar isso com o seu companheiro. Talvez você possa ter uma vida que a satisfaça, ainda que ainda não a conheça. Primeiro, é preciso definir qual tipo de vida deseja, organizando sua parte interna, sua espiritualidade e sua parte emocional, para saber o que se quer.

Quando a gente sabe o que quer e diz o que deseja, os amparadores espirituais também saberão o que você quer. Agora, quando você não sabe para que lado vai, como o amparador poderá ajudá-la? Se nem você sabe, ele fica ali, observando-a, e investe sua energia em outras pessoas que estão mais decididas e organizadas. Acredito que sempre é possível fazer a vida do jeito que queremos; é uma questão de trabalho, esforço e continuidade. Uma união de duas pessoas consiste em uma ajudando a outra. Ninguém é dono do outro.

Vivo com a minha mãe, já de idade avançada, oitenta anos, mas simplesmente não aguento mais. Ela é muito crítica, implica comigo a todo momento e tira a paz da minha casa. Faz um ano que vivemos nessa situação e não sei o que fazer. Ela me atormenta, me controla o tempo todo. Algumas coisas que você diz, como o fato de que crescemos através do relacionamento, me parecem verdadeiras. Nós realmente evoluímos por meio da relação com o outro, das coisas que vemos nele e das diferenças. Já imaginou vir a este planeta sozinho? Não teríamos nenhuma evolução. Por isso, a relação com o outro é fundamental.

Pensei que deveria continuar com ela, pois a dificuldade seria minha por não saber conviver. Mas, ao observar as coisas que ela faz, percebo que realmente é insuportável: verifica se já arrumei a cama, abre a porta do quarto à noite para saber se já estou dormindo, vai à cozinha ver o que estou comendo. O que você tem a me dizer? O que posso fazer? Obrigado.

Você relata que ela o controla constantemente, o que é típico de pais que ainda acreditam que o filho não cresceu. Talvez seja necessário mostrar a ela que você já é capaz de cuidar de si mesmo. Converse com ela, mesmo que tenha 80 anos; acredito que seja possível dialogar de forma adequada, sem briga, sem carga emocional e sem raiva — algo que você precisa aprender.

Seria assim: "Mãe, sente-se, vamos bater um papo; eu queria conversar com a senhora. A senhora pode me ouvir um pouco, por favor?" Com educação. Então você diz: "Olha, mãe, deixe-me falar uma coisa. Respeito muito o que a senhora faz e acho que isso demonstra que a senhora gosta de mim, mas isso me incomoda. Me sinto como uma criança; não gostaria que a senhora continuasse a fazer isso, por favor."

Se ela responder que não ou insistir que é necessário, você diz: "Não tem que fazer nada; eu sei dar conta de mim. A senhora vai ver se eu arrumei a cama, abre a porta do quarto à noite para saber se estou dormindo, mas não sou bebê. Gostaria que a senhora respeitasse esse meu espaço, para que eu possa crescer, porque, do jeito que está fazendo, sabe o que está fazendo comigo? Está me mimando. Isso não é saudável. Eu quero crescer, quero ser melhor e preciso da sua ajuda."

É importante que você converse com a sua mãe, que exponha sua posição e, principalmente, que tente resolver a situação da melhor forma possível. Existem coisas que não conseguimos resolver como gostaríamos, mas precisam ser solucionadas de alguma maneira. Portanto, não se trata de um confronto entre você e sua mãe; é necessário que fique claro para você que é preciso encontrar a solução.

A solução está na forma como você se coloca: contar à outra pessoa as coisas que você precisa, com bastante sinceridade, sem carga emocional. Não grite, não se irrite, não agreda sua mãe; fale de forma tranquila com ela. Ela é sua mãe, você deve respeitá-la e tratá-la com carinho. Além disso, não é só porque é sua mãe que você deve tratá-la com carinho; devemos tratar com respeito e carinho todas as pessoas ao nosso redor. Este mundo precisa ser melhor, não é? Temos de nos tornar melhores. Podemos trabalhar nesse sentido para que nossa vida também seja mais feliz.

Eu estava falando sobre reencarnação. Por que você está nesta vida? Você tem um lápis e um papel? Anote: o que estou fazendo aqui? Se você conseguir responder o que está fazendo e sua resposta estiver de acordo com a verdade, então está tudo bem. Tenho quase certeza de que você não sabe o que veio fazer aqui. Você diz que veio aqui para sofrer, porque precisa acertar algo da vida passada; foi traído e agora se vinga da pessoa que o traiu na outra vida, afirmando que está aqui para se vingar de alguém. Temos mil e uma histórias para contar sobre reencarnação, mas a única que não contamos é que não é exatamente isso.

Se você veio a esta terra, pode ter certeza de que há um sentido bem definido. Imagine uma população imensa, cerca de 6,8 bilhões de habitantes, e que cada pessoa tem uma historinha. Imagine se a consciência universal está preocupada com a historinha de cada um de nós. Mas uma coisa é certa: nós viemos aqui para crescer e evoluir. E você sabe o que é evolução? Evolução é um percurso no qual você terá que trabalhar muito, desenvolver-se, crescer, aprender a se relacionar consigo mesmo e com o seu semelhante, até alcançar um estado de total liberdade consciencial. Essa liberdade consciencial significa conviver no meio de todos, com o ego adaptado a todas as situações. Como fazer isso? É trabalhando de verdade.

Eu penso que nós acabamos inventando muitas histórias para explicar as coisas que não conseguimos entender e, principalmente, criando crenças, rituais e figuras de poder. Criamos um monte de coisas na nossa vida para justificar. Não devemos acreditar em rituais, gurus, mestres e santos; devemos fazer a nossa própria busca. Portanto, se eu for explicar algo, não falo de um santo, falo de um homem.

Falo de um homem que trabalhou mesmo, que existiu. Realmente, ele trabalhou muito e fez as coisas que fez na história. Você pode perguntar: "Mas e o que ele fez?". Com certeza, ele deu um caminho para muita gente, mas nunca quis ser um santo. Estou falando de Francisco de Assis. Esse exemplo é fundamental, porque se a pessoa trabalha e faz esse caminho de continuidade, ela acaba conseguindo atingir os objetivos.

O principal objetivo de Francisco de Assis não era colocar pedra sobre pedra, mas sim mostrar aos outros um caminho que não conhecemos: o caminho do amor, da boa vontade, da disposição para fazer as coisas. Quer dizer, é um trabalho com a gente mesmo. Você vem aqui, fica sendo bonzinho para o outro e não faz nenhum reajuste em si. É preciso fazer um reajuste em si, certo? Você sabe quem vem nos receber após o desencarne? Todas essas experiências que relato são feitas através de projeções astrais lúcidas. É uma coisa quando alguém descreve a espiritualidade; outra é ir ao outro lado e conseguir ver tudo o que há lá. É diferente quando alguém fala de aura e você olha o desenho no livro; por outro lado, ao sair do corpo, você vê as auras humanas e as diferenças existentes.

Questões levantadas pelo material

  • Como decidir se devo continuar em um relacionamento?
  • Por que objetivos claros facilitam a ajuda dos amparadores espirituais?
  • Como colocar limites em uma mãe controladora?
  • Qual é o propósito da reencarnação?
  • Por que ser bondoso não basta para evoluir espiritualmente?

Palavras-chave

relacionamentossolidãolimites pessoaiscomunicaçãoevolução espiritual

Como citar

ESAGÜI, Moisés. Relacionamento, dificuldades e desafios. Amparo: Centro de Estudos da Consciência, 28 jul. 2023. 1 podcast (16 min 48 s). Disponível em: https://centrodeestudos.org/acervo/relacionamento-dificuldades-e-desafios/. Acesso em: 7 nov. 2026.