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Ataque de Pânico (Parte 1) — Spotify do Acervo CEC

Narrado por Moisés Esagüi8 min de leitura

Uma crise de pânico causa terror, confusão e perda de controle; requer ajuda profissional e apoio calmo e cuidadoso no momento.

Ataque de Pânico (Parte 1)
Podcast · 16 min 5 s · Ouvir no Spotify

Resumo

A crise de pânico provoca terror, confusão e perda de controle, podendo paralisar a pessoa e causar taquicardia e falta de ar. Esse sofrimento não é sinal de fraqueza: as dificuldades emocionais ligadas à família, ao trabalho e à turbulência da sociedade se acumulam, e uma crise traz o medo de outra. É preciso buscar ajuda profissional para identificar as causas, manter a terapia e ter disposição para rever os próprios problemas. Durante a crise, quem ajuda deve conversar com calma, orientar a pessoa a retomar o contato com a realidade, ajudá-la a sentar e oferecer água, evitando comentários que aumentem o medo.

Transcrição da fonte

O pânico é a soma de todos os medos que uma pessoa tem, apresentando-se em determinado momento como um estado confuso. A pessoa fica absolutamente confusa e pode apresentar sudorese e taquicardia. Às vezes, procura o cardiologista achando que tem algum problema no coração. Sente falta de ar, trepidação no corpo, tremor — especialmente nas pernas —, além de enfraquecimento nas pernas. A boca fica seca, há nó na garganta. Quem tem pânico pode sentir alguns desses sintomas. Pressão no peito, angústia e dificuldade para checar a realidade são sintomas de base.

Há muita dificuldade em saber o que fazer e em entrar em contato com a realidade. A pessoa pode apresentar descontrole nervoso, iniciar uma crise histérica, gritar e entrar em um estado de perda total da estrutura do ego. O ego se desorganiza e a pessoa passa ao que chamamos de pânico, sem saber o que fazer. A confusão mental também é a base desse transtorno de pânico e da dificuldade de se expressar. No momento da crise, quem sofre de pânico não consegue articular as ideias de forma coerente, permanecendo em estado confusional.

Uma assessora de imprensa relatou: "Faço visitas a clientes, mas tenho que usar táxi porque sinto pânico só de pegar o carro. Um dia desses tentei enfrentar a situação e fiquei parada no meio da rua, travada, suando frio, sem conseguir pensar. Pedi ajuda, o coração a mil, e todo mundo buzinava e me xingava, até que uma alma boa percebeu e me socorreu. Foi um pesadelo. Já fiz terapia por seis meses, mas não adiantou. O que eu poderia fazer?"

Essa pessoa realmente teve uma crise de pânico. A crise de pânico costuma impedir a pessoa de fazer qualquer coisa. Há o caso de alguém que ligou enquanto estava no metrô e sofreu uma crise: ficou parada, tudo ficou estranho, não sabia o que fazer, não conseguia conversar porque estava confusa, sem saber a quem recorrer, e pediu ajuda: "Me ajude, estou tendo uma crise de pânico".

O pior de tudo é que, se você chegar a alguém no metrô ou na rua e disser: "Estou tendo uma crise de pânico", a pessoa não vai entender o que é isso. Ninguém sabe que uma crise de pânico é algo sério, que a pessoa perde totalmente o controle de si, não sabe o que fazer, fica confusa, apavorada. O pânico é um estado de terror interno e faz a pessoa sentir-se muito mal.

Para que a pessoa pudesse voltar, ela conseguiu ligar. Imagine: ficou travada, mas conseguiu pegar o celular, discou o número salvo e foi atendida; começou a gaguejar, a situação foi reconhecida e fui falando com ela, percebendo o momento. Pedi que olhasse ao redor, que observasse à sua frente com calma, que tentasse enxergar as coisas ao seu redor e que começasse a ler o que estivesse diante dela. Ela ainda gaguejava e não tinha controle, mas foi se acalmando, entrando em contato com a realidade, e depois procurou para conversarmos.

O pânico é exatamente isso: um descontrole total. Se isso acontece com você, uma terapia de seis meses pode não ser suficiente. É preciso identificar as causas que levaram a esses medos, ou ao medo que surge subitamente e tira o equilíbrio. Para saber realmente, é necessário fazer terapia com um profissional indicado, alguém que realmente possa ajudar.

Uma coisa fundamental das terapias é a continuidade e a vontade que tenhamos de resolver os problemas. Não se trata de fazer terapia pensando que o terapeuta, o psicanalista, o psicólogo, o psiquiatra ou o médico vão resolver tudo num passe de mágica. Não funciona. Quando se fala de problemas físicos, talvez o médico possa resolvê-los mais facilmente do que um problema emocional. Se o problema físico tiver causa emocional, você também terá de rever isso. Os problemas emocionais precisam ser abordados; não basta dizer: "vou fazer a terapia, vou continuar". Haverá momentos em que você não queira ir à terapia, mas deve ir e dizer: "não, isso aqui é sagrado".

Você está com as suas resistências a mil, o que está te atrapalhando. Não quer se rever. Um segundo e-mail relata: "Estava no cinema com uma amiga, tranquilamente, quando, de repente, comecei a sentir um desespero; fiquei apavorada e quis sair correndo, deixei minha amiga, peguei minha bolsa e só parei quando cheguei ao estacionamento do shopping. Sentei-me no capô do carro até a amiga chegar. Isso é pânico? Minha amiga me levou a uma mãe de santo que disse que eu estava com encosto e recomendou fazer um trabalho; não adiantou nada. O que você pode dizer a respeito? Pode me ajudar?"

Trata-se de outra crise de pânico. São relatos de pessoas que, em algum momento, sentem o medo se apossar de forma súbita, independentemente do lugar: pode ser em casa, na rua, no shopping, no cinema, dentro de um táxi ou mesmo dirigindo. Perdem os referenciais, ficam disfuncionais e descontrolados, não conseguem mais dar conta de si. Estão assustados, absolutamente assustados com tudo que está à sua volta, aterrorizados. Na crise de pânico, podem apresentar os sintomas já mencionados: sudorese, taquicardia, falta de ar, tremor nas pernas, boca seca, nó na garganta, pressão no peito, angústia e confusão mental. Portanto, já se sabe que deve procurar um profissional para receber ajuda. Não trate isso como apenas um ataque nervoso. Procure ajuda.

As circunstâncias atuais são mais turbulentas que há cem anos: naquela época, ao caminhar à noite por uma rua, não havia ninguém, e durante o dia havia poucas pessoas e quase nenhum carro. Hoje, não há lugar nem para carros nem para pessoas; tudo acontece a uma velocidade muito alta e o número de informações é altíssimo. Ao andar na rua, não se consegue nem ver os prédios. Com os prédios, não se vê nem as montanhas nem o céu. Fomos totalmente descaracterizados de nossa essência. Não conseguimos mais ver uma árvore, exceto as que são plantadas nas avenidas, que não têm a característica da natureza.

A nossa velocidade para sobreviver teve que ser aumentada. Você tem que correr para um lado, para o outro; as distâncias são maiores e você entra em transportes públicos, onde está cheio de gente, gente nervosa, gente ansiosa. Tudo isso, nos seus processos inconscientes, é percebido. Você, com certeza, dentro do que é, perceberá essa condição de alta rotação emocional que afeta. Para ter uma crise de pânico, não é uma questão de sermos fortes ou não. Estamos imersos numa sociedade extremamente turbulenta, que perdeu a característica de estabilidade. Nesse momento, temos que procurar ajuda. É como ter depressão: acha que tomou calmante e vai resolver. Não; procure ajuda, porque esses processos tendem a ser cumulativos.

Você tem uma crise hoje; depois somam-se outras situações e assim por diante. Quando você tem uma crise de pânico, já surge outro medo: o medo de ter outra crise de pânico. A pessoa depressiva vive um ciclo angustiante: tem uma crise, cai no fundo do poço; quando melhora e se estabiliza, fica com receio de voltar àquele estado. Só quem já teve depressão ou crise de pânico sabe o tamanho desse sofrimento. Algumas pessoas dizem: "você é muito fraco, não dá conta de você". Não funciona assim. Se alguém chega até você dizendo que está tendo uma crise de pânico, é preciso ter muito cuidado: tentar amenizar a situação, acalmar a pessoa, fazê-la sentar, oferecer um copo d'água, conversar de forma positiva. Não se deve dizer que ela está muito mal ou que está pálida.

Se a pessoa diz "estou em pânico" e você responde "você está muito pálido, muito mal, descontrolado", só piora a situação. Deve-se conversar de forma tranquila, tentar reorganizá-la por meio de uma verbalização adequada. Nem todos têm condições de fazer isso, mas ao menos dizer: "Calma, fique mais tranquilo. Vou pegar um pouco de água. Relaxe. As coisas estão passando por um momento difícil."

Quando alguém relata que ficou sentada no capô do carro durante uma crise de pânico, podemos dizer que deveria ficar tranquila, mas não é possível permanecer calma durante um descontrole total. O curioso é que foram duas mulheres que enviaram e-mails relatando isso. Isso é mais comum em mulheres? Não; as mulheres têm mais coragem de falar. Mesmo em casos de depressão, ao observar a mulher, percebe-se que ela pede ajuda. O homem, por outro lado, mascara a depressão e raramente procura ajuda — geralmente apenas quando a situação se torna muito grave.

O homem tende a dizer que não é nada, que é só um momento, que vai dar um jeito, tomar um remédio, acalmar-se. Mas a situação piora porque não sabemos em que condições a pessoa está interagindo. Ela pode estar em uma estrutura familiar absolutamente disfuncional, que está proporcionando isso. No trabalho, pode enfrentar dificuldades na relação com o chefe, com figuras de autoridade, ou mesmo insatisfação no desempenho de suas funções; tudo isso se acumula no ser humano. Por isso, é preciso procurar ajuda: um terapeuta que oriente, um psicanalista, um psicólogo, um médico ou um psiquiatra.

Alguém que possa dizer: "vamos ver o que você tem". Você procura um médico e ele detecta depressão ou pânico. Ele prescreve um medicamento, mas recomenda que você procure alguém que possa ajudá-lo na área comportamental. Há outro relato: "Tenho pânico de escuro. Não consigo dormir com a luz apagada. Meu marido reclama disso e da conta de luz, porque preciso deixar todas as luzes da casa acesas. Um dia, a luz apagou — houve um apagão — e comecei a gritar desesperada. Então obriguei meu marido a ir para a garagem comigo e acender o farol do carro. Foi um transtorno."

Podemos até rir ao ouvir isso, mas trata-se de algo muito sério: a pessoa está totalmente perdida e desequilibrada. Quem assiste pode ficar irritado, pois não entende que se trata de uma situação grave. Portanto, se alguém sofrer uma crise de pânico, respeite o momento, dê atenção e apoio — é algo sério. Por outro lado, quem tem pânico não deve criar crises para chamar a atenção dos outros, pois isso pode ser explorado. Não se deve aproveitar a situação para manipular o outro.

Questões levantadas pelo material

  • Quais são os sintomas de uma crise de pânico?
  • Como ajudar alguém durante uma crise de pânico?
  • Como a terapia pode ajudar quem tem crises de pânico?
  • Como o estresse diário pode contribuir para crises de pânico?

Palavras-chave

síndrome do pânicoterapiaajuda ao próximo

Como citar

ESAGÜI, Moisés. Ataque de Pânico (Parte 1). Amparo: Centro de Estudos da Consciência, 3 abr. 2022. 1 podcast (16 min 5 s). Disponível em: https://centrodeestudos.org/acervo/ataque-de-panico-parte-1/. Acesso em: 3 nov. 2026.