Resumo
Uma crise de pânico é um episódio imprevisível de ansiedade, sem relação com uma situação específica, e pode causar taquicardia, confusão e paralisia. A vida acelerada, o excesso de informações, as relações disfuncionais e os medos e mágoas acumulados formam uma carga emocional que pode se manifestar como transtorno de pânico. O primeiro passo é procurar profissionais de saúde para avaliar as condições físicas e emocionais; na terapia, a escuta ajuda a liberar emoções guardadas. A espiritualidade só deve ser buscada se esse recurso falhar, pois explicações espirituais podem confundir a pessoa e agravar o problema.
Transcrição da fonte
O pânico e suas manifestações: taquicardia, sudorese, taquipneia (respiração muito acelerada), piloereção, dores, contraturas, tremores, calafrios e adormecimentos. O que é o pânico? É um episódio de ansiedade não relacionado a uma situação específica. Não precisa haver nada naquele momento que cause o pânico. Ele é imprevisível. Você está no metrô e sente pânico; está em casa e sente pânico. O pânico é a soma de todos os seus medos que surgem subitamente, assim como os pensamentos obsessivos. É algo que você não consegue controlar.
Uma crise de pânico normalmente não dura mais do que uma hora; pode até se prolongar, mas na maioria dos casos dura 15 minutos, 20 minutos, meia hora, quase não chega a uma hora. A pessoa que está nessa crise não consegue lidar com a situação: fica confusa, perde o controle do ego. Encontra-se em uma condição em que as coisas parecem muito estranhas, tudo é muito ameaçador, e não consegue se movimentar, ter um direcionamento. Nem sempre tem força para manifestar o medo, por exemplo, falando ou pedindo ajuda. Às vezes a pessoa nem tem condições de fazer isso, ficando paralisada.
O pânico é uma coisa muito séria. Pânico e depressão são fenômenos que hoje em dia estão cada vez mais presentes. Existe um fator primordial para que o pânico apareça com uma frequência maior, talvez muito maior do que antes. Nossa vida está muito agitada e fora de um padrão normal de velocidade psíquica. Nossa velocidade interna teve que ser muito acelerada para que possamos dar conta de todas as coisas que estão à nossa volta.
Se você quiser verificar isso, pense no seguinte: tudo o que fazemos não tem tempo de sobra; sempre falta tempo. Aqui em São Paulo retiramos todos os outdoors e a maioria dos cartazes. Imagine caminhar por um lugar, observando objetivamente esses cartazes e todas as coisas coloridas que há na rua, sinais e tudo mais, enquanto um número imenso de carros e de pessoas circula; o inconsciente também registra o que não vemos. Assim, há uma superlotação de informação que, em algum momento, provoca um travamento na máquina; não há como evitar.
Sem contar as situações de estresse real nas relações com as pessoas, nos relacionamentos que são disfuncionais, apesar de querermos dizer que são funcionais. A mulher e o marido brigam; um fala mais alto que o outro, ofendem-se, não conseguem ter uma vida tranquila, de carinho e afetividade. Mas isso não se torna normal só porque todo mundo briga. Não, não é normal que todo mundo brigue; não devemos brigar com ninguém. Temos que viver em paz e usar um tom de voz adequado.
Se você é agressiva, pode começar a rever esse tipo de comportamento, pois ele é disfuncional. Com certeza, se a pessoa apresenta agressividade, dependendo do nível, já possui uma patologia que sustenta essa atitude. Se ela é passiva, muito tranquila, não reage diante das situações da vida, também provavelmente tem conteúdos emocionais que geram esse comportamento, e, na relação com outra pessoa, esse problema se intensifica.
Todas essas coisas criaram uma dimensão muito grande. O medo que as pessoas vivem, as coisas que assistimos no noticiário, que são horripilantes. O ser humano deveria estar se aprimorando, criando uma condição cada vez mais afetiva, de entendimento do próximo e de compartilhamento saudável, mas isso não ocorre. O que vemos são pessoas sempre exercendo o poder, exercendo a força e esquecendo, na minha opinião, que nas várias reencarnações que temos, faremos algumas mudanças de posição. Uma hora você é o técnico, outra hora é o jogador. Portanto, é bom pensar que nosso aprendizado acontecerá, e isso ocorre nesta vida.
A pessoa nunca consegue ser muito feliz quando se esconde atrás das mentiras que prega. Tudo isso resulta em um bolo emocional, em uma carga que, em algum momento, vai se manifestar. Pode então virar, por exemplo, um transtorno de pânico. São centenas de medos que você arquiva no inconsciente ou guarda no coração, como mágoas, rancores e afins. Chega um momento em que isso precisa sair, e nessa liberação surgem sua taquicardia, suor frio, dores, contraturas, tudo o que você imagina, além do travamento de todo o aparelho psíquico, numa hora em que isso não deveria acontecer.
Isso pode acontecer quando você está no trânsito, no metrô ou numa rua à noite; de repente, você para e não consegue mais se localizar. É uma situação séria. Tudo o que criamos, inclusive nossas patologias, pode ser modificado e curado. Um rapaz de 20 anos não podia ficar em um lugar com mais de três pessoas; entrava em pânico, tremia, dizia que começava a trepidar internamente e ficava totalmente em branco, e então o episódio terminava.
Ele foi procurar uma vidente, e a vidente lhe disse: "Olha, o que você tem é que, em outra vida, você esteve numa guerra. Por isso, agora não pode ficar perto de pessoas." Pratico a espiritualidade desde os sete anos de idade, sou pesquisador e realizo projeções astrais lúcidas desde então, com anotações diárias do trabalho que faço, das assistências espirituais, de todas as pesquisas que realizo com aura e chacras. Contudo, por mais que eu saiba e veja, acredito que o primeiro passo ao ser procurado por alguém com algum problema é procurar um médico, um psicanalista, um psicólogo ou um psiquiatra.
Esse é o caminho. Primeiro, devemos verificar as condições físicas e emocionais das pessoas. Depois, se esse recurso falhar, procuramos a espiritualidade. Por quê? Porque muitas vezes o caminho para resolver a espiritualidade passa pelo mundo físico. Quando você vai, por exemplo, a um psicólogo ou a um psicanalista e conta suas coisas, vai descarregando inúmeras emoções, energias e sentimentos que estavam guardados, que você não conseguia contar a ninguém, que magoam, destroem e corroem internamente. Quando encontra alguém que escuta, entende o que você está dizendo e compartilha com você, as coisas começam a mudar.
Imagine que, um dia, você está extremamente nervoso; então, de repente, conta a si mesmo todo o seu nervosismo. Você fica calmo. É importante que, antes de procurar qualquer recurso espiritual, a gente atente para as coisas do mundo físico. Procure um médico, um psiquiatra, um psicanalista ou um psicólogo, ou seja, quem for da área de saúde que possa ajudar. Caso contrário, você seguirá o caminho errado, procurará ajuda espiritual e poderá piorar tudo. Vejo que devemos seguir um caminho lógico. Procurar alguém da área espiritual pode confundir, e não dá conta, porque, quando a pessoa vai ao psicólogo, pode dizer: "não, mas o meu vidente falou que estou cheio de espírito, que estive em tal lugar". Assim, tudo fica misturado.
O psicólogo tem a tarefa de reorganizar isso; ele ouvirá você, compreenderá seu contexto emocional e está preparado para isso. A pessoa que ouve outras pessoas todos os dias, ao conduzir uma clínica, adquire um conhecimento maior do que qualquer faculdade pode oferecer. Se você concluir uma faculdade sem praticar, não alcançou nada; ao praticar, solidifica, sedimenta e amplia significativamente o aprendizado. No caso da psicanálise e da psicologia, para quem realiza a escuta clínica, é fundamental ter essa vivência, pois assim será possível entender, por exemplo, que determinada situação trata-se de um verdadeiro ataque de pânico.
Esse rapaz provavelmente ainda não resolveu o seu problema. Recebi outro e-mail com o seguinte relato: "Sempre tive dificuldades para falar em público e, quando procurei terapia, descobri que era pânico. O pior é que a pessoa pode passar grande parte da vida nesse sofrimento se não buscar ajuda." Ano passado, essa pessoa teve que apresentar um projeto na empresa onde trabalha. Na hora de falar, travou, enrubesceu, ficou confusa e não saiu nenhuma palavra. Sentiu formigamento no corpo. Um colega percebeu e tentou ajudar, dizendo que ela estava um pouco nervosa. O colega contornou a situação e ela saiu da sala, mas depois não conseguiu voltar. Isso que você está relatando é um momento de pânico. Por isso, você precisa buscar ajuda, fazer terapia.
Questões levantadas pelo material
- Quais são os sintomas de uma crise de pânico?
- Quanto tempo dura uma crise de pânico?
- Como o estresse pode contribuir para crises de pânico?
- Qual profissional procurar para tratar crises de pânico?
- Por que buscar ajuda médica antes da espiritual para o pânico?
Palavras-chave
Como citar
ESAGÜI, Moisés. Ataque de Pânico (Parte 2). Amparo: Centro de Estudos da Consciência, 9 maio 2022. 1 podcast (14 min 12 s). Disponível em: https://centrodeestudos.org/acervo/ataque-de-panico-parte-2/. Acesso em: 4 nov. 2026.





