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Como Lidar com Pessoas Difíceis? — Spotify do Acervo CEC

Narrado por Moisés Esagüi10 min de leitura

Lidar com controle ou agressividade exige limites assertivos, respeito à liberdade do outro e, conforme o caso, tratamento.

Como Lidar com Pessoas Difíceis?
Podcast · 19 min 24 s · Ouvir no Spotify

Resumo

O controle restringe a liberdade e a agressividade adoece quem está perto. Para lidar com ela, é preciso falar com calma, apontar esse comportamento e suspender a conversa até haver respeito. A terapia cabe em qualquer idade, desde que se avaliem a lucidez e a disposição para mudar. A convivência pede acolhimento e permite aprender com as diferenças. O amadurecimento pode reduzir carências ligadas à infância. A clarividência se desenvolve com esforço e permite perceber diretamente a dimensão espiritual para equilibrar a vida física.

Transcrição da fonte

Ouvindo o programa na semana passada, identifiquei-me com o e-mail do homem que diz estar casado há 20 anos e que parece ter vivido 20 encarnações. Vivo situação parecida, mas, no meu caso, trata-se da minha mãe. Ela mora conosco porque tem problemas de saúde. Minha esposa trata-a com atenção e carinho, e meus filhos também, mas ela é muito amarga, reclama de tudo e quer controlar a vida de todos. Interfere até no estilo de roupa que minha filha de 14 anos gosta de usar. Antes eu achava que fosse problema de idade, que a gente deveria ter paciência, mas, ouvindo suas palestras e CDs, passei a entender que se trata de um comportamento disfuncional que está desequilibrando toda a família.

Sinto culpa quando penso em mandá-la para uma casa assistencial, mas também não quero destruir minha família. Você acha que uma terapia na idade dela ajudaria? Ela tem setenta e cinco anos. É uma pessoa disfuncional, com problemas, e acaba deixando todos doentes em casa. Não há solução. É a mesma situação de um filho drogado. Quando há um filho drogado, as pessoas da casa tornam-se codependentes, interagindo da maneira que conseguem para manter a estabilidade doméstica; no final das contas, quem dirige todo esse processo é o filho drogado, que percebe que as pessoas reagem para lidar com o que ele é ou com o que ele não é, na verdade.

É muito complicado quando se lida com uma pessoa controladora, intrometida, invasiva ou inferencial, que acredita que o outro fez algo e conduz a história por um caminho sem realidade; essas pessoas criam turbulência no ambiente e geram pressão emocional, e o controle, por sua vez, também pode intensificar essa pressão.

Se você tem uma esposa controladora ou um marido controlador, o que acontece é que o outro fica sempre buscando caminhos para ficar em paz, e esses caminhos sempre levam ao sofrimento, porque não se pode viver com alguém que controla tudo o que se faz e impõe suas opiniões como verdades, desvalorizando o que a outra pessoa faz, alegando que não sabe ou que não presta. Conviver com uma pessoa que não permite que você se manifeste e seja quem é não é saudável; todas as pessoas têm o direito de exercer sua liberdade e aprender por si mesmas.

Você erra, corrige, erra, corrige e vai descobrindo o melhor caminho. Mas, quando uma pessoa é controladora, não permite nem esse espaço para o outro. Então, é uma boa ideia verificar qual é a melhor saída. Às vezes, a melhor saída realmente é um tratamento. Neste caso, a mãe tem 75 anos de idade; é preciso verificar o estado de lucidez dela. A terapia cabe em qualquer idade, e podemos conversar para verificar se a pessoa realmente tem predisposição para fazer mudanças que tornem a vida mais saudável e feliz. Portanto, seria necessário conversar e verificar o nível de resistência que ela tem a mudanças. Com 75 anos, hoje em dia as pessoas podem, sim, fazer terapia.

Para melhorar, não há idade. Aliás, há algum tempo, um senhor de 90 anos me procurou e disse: "Moisés Esagüi, eu gostaria de fazer terapia. Tenho muitas coisas para resolver e não quero desencarnar e voltar a ser essa tranqueira que sou, porque sofro demais; fico pensando que qualquer problema se torna algo muito grande para mim." Ou seja, com 90 anos a pessoa tomou uma atitude e afirmou: "Não quero, pelo menos, voltar do mesmo jeito." Cada um de nós pode realmente utilizar todo o tempo disponível nesta vida para trilhar um caminho melhor.

Com 75 anos, dá para fazer uma boa terapia e rever essa vida, ajustar essa família, porque, senão, as pessoas ficam cada vez mais com dificuldade e mais recessivas — principalmente os filhos. Imagine: você não pode usar uma roupa, não pode fazer isso, não pode fazer aquilo, porque está sempre errado. Não é um caminho bom. O caminho bom é o que se conversa, troca ideias e permite que o outro se expresse. É um caminho saudável, de felicidade e bom humor. Nesse caso, a mãe é amarga, então o mau humor anda rondando por aí.

Vou contar como a clarividência atuou na minha vida. Desde garoto vejo espíritos, percebo as energias e a aura das pessoas. Fui me acostumando a me relacionar com essa dimensão energética. No começo tive muita dificuldade, pois não tinha a quem contar. Isso complica a situação. Quando você entra na sala de aula, vê mais pessoas do que realmente há: em uma turma de 30 alunos, percebo 70, 80 ou 90.

Isso às vezes me causava dor de barriga, fazendo-me sair correndo da sala. O garoto não sabe o que faz. Quando o espírito se aproximava e tentava falar comigo, percebendo que eu o via, eu tinha certeza de que sairia correndo da sala, pois meu estômago não aguentava. Mas a clarividência permite que você entenda melhor o mundo. Quando falo de clarividência, refiro-me à capacidade de perceber suas vidas passadas; por meio de um elemento de focalização de suas energias, você pode perceber seus amparadores espirituais e os parentes que estão presentes em um ambiente, sem precisar recorrer a outra pessoa para que alguém fale por você. Assim, você, diretamente, sem terceirizar, terá a percepção do ambiente e poderá utilizá-la em sua vida.

Você entra em um ambiente e percebe que ele está sobrecarregado; sente dor nas costas. Agora, ao observar o que se movimenta nesse espaço, percebe-se a diferença. Uma vida multidimensional significa não viver apenas a mesmice da vida física sem compreender por que certas coisas acontecem, mas reconhecer que nossa origem é espiritual e que devemos equilibrar o mundo físico por meio dessa relação entre o físico e o espiritual.

Ver o mundo espiritual não é um dom, nem um milagre; nada disso. Você pode ver o mundo espiritual através de trabalho e de um processo de desenvolvimento da sua clarividência. Tudo nesse mundo funciona assim: evolução é esforço. Olhe o e-mail a seguir: "Moisés Esagüi, como a gente deve interagir com alguém que é muito agressivo, mas não admite? Ele é agressivo até em situações corriqueiras, como na hora de colocar gasolina no posto, onde trata o frentista como um empregado, por exemplo."

Aliás, eu já vi uma coisa no posto de gasolina: o frentista estava atendendo quando uma pessoa chegou e começou a se exaltar, gritando com ele, que estava trabalhando. Agressividade, comportamento agressivo, controlador e passivo são dificuldades emocionais. Não pense que é comum ser agressivo; não é. Acontece que, na maioria das pessoas, a passividade, a agressividade, o controle, a persecutoriedade e todas as outras emoções que um ser humano pode sentir, como raiva, ciúme e tudo mais, são frequentes, mas não são normais.

É normal sermos felizes, tratarmos as pessoas com respeito e percebermos o outro. A pessoa está ali trabalhando, esforçando-se e já tem suas dificuldades. Se você tem um bom carro, ganha bem ou se acha melhor que os outros, companheiro, é melhor rever a sua vida. Temos muito a fazer para melhorar; precisamos ser melhores a cada dia que passa, mas melhores que nós mesmos. Não somos superiores porque temos mais que o outro; você não é melhor que ninguém se não tiver mais consciência ou se não souber lidar com o outro e acolher as pessoas.

As pessoas têm se reunido em comunidades que vivem de doação, como a associação CEC e o sítio São Damião, melhorando a cada dia com a ajuda de todos. Cada dia soma-se mais gente. Quem chega diz: "Nunca fui tão bem acolhido, nunca ri tanto na vida, nunca trabalhei com tanta felicidade, porque esse é o sentido da vida." Podemos compartilhar o espaço com o outro sem competir, apenas ajudando. Isso é uma grande parceria, é expressar amor.

Não basta achar que se tem um terno muito caro, um sapato que se considera o máximo, e de repente tratar mal uma pessoa. Com certeza, isso está errado. O acerto consiste em tratar todas as pessoas que nos cercam com acolhimento, boa vontade e plena percepção do que o outro é. Assim, a pessoa realmente se torna competente e segue o caminho certo. Quando você tem alguém agressivo, talvez essa pessoa precise de tratamento ou de ouvir palavras assertivas, inclusive um "não". Muitas vezes, a pessoa agressiva é mimada e nunca recebeu um não na vida. Considero que ela cresce muito ao conseguir ouvir um sim da mesma forma que ouve um não; assim, ao receber uma negação, consegue lidar bem internamente com isso.

Tem pessoas que você não pode falar "não". Tem pessoas que você tem que ficar elogiando o tempo todo. Isso é falta de maturidade. Se você fez alguma coisa e quer que o outro dê opinião, espere que ele dê opinião sinceramente, não a opinião que você quer ouvir. Senão, você está sendo simplesmente imaturo. O outro não é mais seu amigo quando ele diz apenas o que você quer ouvir. Você pode ter certeza: provavelmente, seu amigo é aquele que diz as coisas com sinceridade, não importa a forma como você vai reagir.

Como você deve interagir com alguém que é muito agressivo? Com assertividade, colocando seus sentimentos e apontando a agressividade da pessoa, porque ela acaba adoecendo quem está perto. Você fica com medo de interagir. Ou toma uma atitude absolutamente passiva e para de falar com essa pessoa, ou deixa de ter contato com ela para poder ficar em paz. Ou se coloca assertivamente e diz: "Você está sendo agressivo. Olha, se você falar desse jeito comigo, eu não vou conversar com você." Fale com calma, expresse-se com calma: "Nós conversaremos quando você se acalmar, quando falar comigo de forma educada. Eu não aceito que você trate as pessoas desse jeito."

Você está sendo agressivo; não está fazendo as coisas de forma correta, e eu não aceito isso. Portanto, você deve se posicionar. Assim convive com as pessoas, se quiser. Além disso, é preciso pensar em todas as possibilidades, caso contrário não funciona. Eu morava num sítio há algum tempo, onde havia um jardim com muitas árvores e plantas. Sempre percebia uma presença que chamava de consciência, que se movimentava de uma planta para outra como se as energizasse. Não se tratava de um gnomo ou duende, mas de uma consciência que aparentemente estabilizava a estrutura das plantas. Cada vez que se aproximava de uma, o duplo etérico da planta aumentava de tamanho.

Eu parecia um boboca; ficava parado, olhando aquilo, por cerca de uma hora. Quem me visse perguntava: "O que esse cara está fazendo ali?" Não fazia sentido, e eu observava aquela consciência, que sempre fazia os mesmos movimentos com as plantas. Assim, quem gosta de plantas pode ver o duplo etérico da planta e saber se ela está mais vitalizada ou não. Eu gosto muito de plantas e tenho algumas experiências excelentes com elas. Este planeta precisa cada vez mais de árvores e de plantas; isso é muito importante.

Você disse que falaria sobre como são as relações entre pessoas carentes e fiquei pensando como seria a relação entre pessoas que não são carentes, se é que elas existem. Quando olho à minha volta, só vejo desequilíbrio e sofrimento. Existem pessoas que não têm qualquer tipo de carência? Se essas pessoas existem, gostaria de conhecê-las.

Está certo, é verdade o que você está dizendo. Não é tão fácil encontrar pessoas sem carências. Todos nós temos alguma carência – afetiva, financeira, de diversos tipos. Sempre sentimos falta de algo. Nossa constituição durante a infância, no processo de criação, não inclui todos os elementos de que precisamos. Precisamos de referenciais que nos ajudem a ter continuidade. Sempre falta alguma coisa que se refletirá na vida adulta, e, portanto, é muito difícil que uma pessoa dê conta de tudo.

Eu acredito que é possível lidar com a vida de forma muito madura, cada um aprendendo sobre si mesmo e fazendo um percurso com menos carências. Mas precisamos do próximo; ninguém veio a este planeta para viver sozinho. Nós temos que ter pessoas à nossa volta, porque é um planeta em que evoluímos através da relação com o outro. Se não houvesse ninguém, se você fosse o Pequeno Príncipe, não teria como crescer. Não existiria nada para confrontar você no seu crescimento. Você simplesmente estaria ali, seria o rei, o dono de tudo, sem nenhuma experiência no relacionamento com o outro. Não existiriam diferenças. Essas diferenças nos fazem aprender e crescer. Existem pessoas carentes que, ao se relacionarem com o outro, acabam tomando energia espiritualmente.

Questões levantadas pelo material

  • Como o comportamento controlador afeta a família?
  • Idosos podem se beneficiar da terapia?
  • A clarividência é um dom ou pode ser desenvolvida?
  • Como lidar com uma pessoa agressiva?
  • Como as diferenças nas relações ajudam na evolução espiritual?

Palavras-chave

comportamento controladoragressividadeassertividadeterapiaclarividência

Como citar

ESAGÜI, Moisés. Como Lidar com Pessoas Difíceis?. Amparo: Centro de Estudos da Consciência, 10 maio 2021. 1 podcast (19 min 24 s). Disponível em: https://centrodeestudos.org/acervo/como-lidar-com-pessoas-dificeis/. Acesso em: 4 nov. 2026.

Como Lidar com Pessoas Difíceis? — Acervo CEC