Resumo
O ciúme do filho de cinco anos faz parte do momento edipiano e costuma passar; papéis claros e limites coerentes ajudam nessa fase. Nos conflitos conjugais, a terapia pode ser sugerida com calma. Mesmo sem a participação do parceiro, pode melhorar a relação, desde que haja disposição para mudanças internas, sem exigir resultados ideais. Interromper discussões até ambos se acalmarem também quebra o ciclo de brigas. Se o pai idoso acolhido pela filha perturba a harmonia familiar, ela deve afirmar com calma e assertividade que ele precisa respeitar a família que ela constituiu e as regras do casal. Se o problema persistir, ela deve buscar outro lugar para ele morar.
Transcrição da fonte
Ciúmes entre pai e filho é normal? Tenho ciúmes da relação do meu filho com a minha esposa, e ele também sente ciúmes de mim quando dou atenção à minha esposa. Ele tem cinco anos. Isso passa com o tempo ou só piora? Se o seu filho tem 17 anos e sente ciúmes da sua relação com a esposa, a situação se torna ainda mais complicada. Você está se referindo ao momento edipiano, à transição em que o filho busca os referenciais necessários para sua vida. Quais são esses referenciais? O homem e a mulher, o pai e a mãe, que são os primeiros modelos que temos. E se não houver pai? Ele buscará outra figura masculina, pois essa figura é importante para a configuração interna, para constituir o homem interno, o pai interno e a mãe interna. Isso é fundamental.
Aos cinco anos, ele está passando por esse momento de definição, entre cinco e seis anos. Se ele é homem, procura a companhia da mulher. A mãe é o primeiro contato que o filho tem, tanto para o homem quanto para a mulher. É o contato do seio, do abraço, do aconchego, do acolhimento, do carinho, do beijo. Todos os toques que a mãe faz em um filho são muito importantes, pois ela pode expressá-los com carinho e sentimento, e o filho assimila isso. Nessa fase, ele deve olhar para a mãe, estando na transição entre mãe e mulher, e já percebe que é do sexo masculino.
Ele quer esse lugar para si. Como resultado, sentirá ciúmes do pai. A mãe fica com ele durante o dia, abraça, dá alimento e atenção ao filho. Quando chega à noite, vai dormir com o pai, o que complica a situação. O garoto fala, mas se sente desprezado naquele momento, e sentirá um pouco de ciúmes.
Agora, é preciso observar: se você também está sentindo ciúmes da atenção que sua esposa dá ao seu filho, isso pode acontecer. Acho que é uma questão de entendimento; costuma passar. Os pais podem ajudar o filho a atravessar essa fase de forma tranquila e, principalmente, organizando-se. Para isso, ele precisa saber algumas coisas. Primeiro, ele precisa saber que você é o marido, que você é o pai, que tem um lugar. Esse lugar precisa ficar bem definido para ele, assim como o da mãe. Ela é mulher, mãe e esposa. Isso precisa ficar definido para o filho e ser reafirmado, para que ele entenda que é assim.
Você pode contar com a sua mãe, que é uma mulher, mas é sua mãe; é alguém que vai orientá-lo, ampará-lo e fazer um percurso na sua vida de acolhimento e carinho. Isso precisa ficar claro para ele, e você, como pai, da mesma forma. Então, às vezes, falamos: "não, eu sou pai, mas também sou o melhor amigo". Não confunda as coisas, porque você vai confundir a cabeça do seu filho. Ele é filho, entendeu? O papel de pai inclui carinho, acolhimento, orientação, tudo o que é preciso para que um filho se constitua de forma tranquila e bem. Você tem que saber exatamente o que é isso para transmiti-lo a ele.
Quando você disser um sim, tem que ser um sim de verdade; quando disser um não, tem que ser um não, e pronto. Nada de culpas, nada de sentimentos contraditórios. Seu filho tem que saber exatamente: este é meu pai, esta é minha mãe. Um belo dia ele vai agradecer por isso, porque dirá: "o meu pai era uma pessoa muito coerente, tinha posicionamento e me orientou muito bem, e a minha mãe também". Então, a mãe não é a mulher. Ele não pode ver a mãe como uma mulher, pois, se fizer isso, não está conseguindo resolver, dentro de si, as questões que precisa resolver.
Isso passa, mas você precisa se posicionar e conversar com a sua esposa, para que ele possa seguir o melhor caminho, sair dessa história e alcançar uma vida adulta ou adolescência tranquila, bem resolvida, com a consciência de que tem uma mãe que o ama, que está perto dele, que o orienta e que tem posicionamento; ela não é pessoa que cede aos caprichos e às manipulações do filho, mas consegue dizer não a ele, com um posicionamento correto, que é o de mãe, e o pai deve agir da mesma forma.
Você não precisa se preocupar, pois a impressão que se tem, ao colocar ciúmes entre pai e filho, é que você se coloca em posição de igualdade com ele. Ele é um garotinho de cinco anos, enquanto o pai já é adulto. É importante reconhecer que se trata de uma fase da vida que passa, mas, como pais, devemos nos posicionar de forma coerente e, se necessário, buscar orientação de profissionais da psicologia, do comportamento ou da psicanálise, especialistas que trabalhem com crianças e conheçam o contexto infantil. Poderão orientá-lo bem, se você achar necessário. Mas essa fase passa. Você não pensa que seu filho, aos 15 anos, competirá com você por causa da sua esposa. Não pense dessa forma; isso é apenas uma fase.
Próxima questão: meu relacionamento com meu marido é sempre muito explosivo. Outro dia percebi que vivemos competindo um com o outro, discutindo e brigando por coisas bobas. Gosto muito dele e pretendo fazer terapia de casal para nos ajudar a nos entender melhor. Como devo abordar isso com ele? Tenho receio de que não concorde. Se eu fizer terapia sozinha, ajudará?
Você está querendo resolver realmente uma questão que é muito importante na vida de todos. Relacionamento é fundamental para o nosso crescimento; penso que este é um planeta de relacionamentos e que viemos aqui para evoluir por meio dele. Reflita sobre isso e verá que é verdade: tudo que existe neste planeta é relacionamento. Primeiro, é preciso lidar com o relacionamento interno, ou seja, consigo mesmo, superando os conflitos, tarefa árdua. Depois, podemos nos relacionar com o outro, com quem está fora de nós, o que também não é fácil.
Se ele não concordar, o primeiro passo é conversar com ele de forma tranquila. Nós costumamos cobrar o outro e tentar impor o que achamos certo; estamos sempre lidando com cargas emocionais e muita tensão. Essa é a forma como nos relacionamos. Se refletirmos, é difícil encontrar pessoas que se relacionem sem cargas emocionais, que se relacionem tranquilamente, digam o que precisam dizer, ouçam o outro e trabalhem a relação. Às vezes, o outro tem razão.
Está tudo bem, nada de impor um ponto de vista. Você pode abordar isso com seu marido de forma tranquila, como uma sugestão, dizendo que se trata de uma ideia. Diga que percebeu que vivem competindo um com o outro; pode ser que você esteja errada, mas pergunte se ele pensa o mesmo. Mesmo que briguem por coisas bobas, tudo bem. Diga que gosta muito dele e que, portanto, precisam encontrar uma solução.
Talvez uma solução fosse pedir para alguém orientá-los, porque tem coisas que a gente não sabe, que eu não sei, que você não sabe, ninguém sabe tudo. Nesse bate-papo, você pode sugerir: "o que você acha de a gente fazer uma terapia, pelo menos por um tempo, para a gente poder entender cada um de nós, se entender melhor e acabar com essas desavenças bobas?" Tem coisa que é muito boba mesmo, e dá para resolver. Aborde desse jeito, com tranquilidade. Se, por exemplo, ele falar que não, que não quer fazer, tudo bem.
Se você não quer fazer, não tem problema; eu farei, pois quero melhorar a nossa relação. Vou me esforçar para ver que ganhos podemos alcançar e dizer que gosto muito de você, pois isso é importante. Se eu fizer terapia sozinha, ajudará? Acho que sempre ajuda. Talvez você não consiga alcançar o ideal, mas lembre-se de que a terapia de casal também depende da disposição de cada um em trabalhar para ser melhor. A pessoa pode fazer terapia e não querer mudar nada. Há muitas pessoas que fazem terapia apenas para dizer que a estão fazendo.
Você precisa fazer terapia e falar: "Quero ser melhor, consertar-me, expor-me e fazer ajustes internos." Isso é sincero, e então você conseguirá resultados. Há pessoas que buscam esse tipo de trabalho e conseguem mudar muitas coisas internamente. Assim, você terá uma condição de relacionamento melhor com seu marido. Talvez você pense em alcançar o ideal, mas será que isso corresponde ao que eu quero? Eu acho que não se deve pensar assim, pois, caso contrário, cria-se uma expectativa que pode não ser saudável. Quando afirmamos que devemos chegar a determinado ponto e não o conseguimos, surge um problema chamado frustração. A frustração gera imediatamente raiva, e isso não faz bem. Anote: a frustração, na maioria das pessoas, gera raiva. Assim, surge outro problema.
Não é para você dizer que vai conseguir o resultado ideal; o objetivo é alcançar o melhor possível. Acho que esse é um caminho. Há um detalhe importante: se você iniciar a terapia e promover mudanças em si, sua relação com ele também mudará. Na maioria das vezes, discutimos com o outro por questões triviais e seguimos a mesma onda, criando uma corrente de desgraça, infortúnio, infelicidade e conflito. Por exemplo, duas pessoas discutem em casa; chega uma terceira e a discussão continua, depois uma quarta, formando uma corrente interminável de briga, até que alguém interrompa esse ciclo. No caso da relação com o seu marido, você pode interromper essa corrente antes que ela comece.
Até dizendo para ele: "Estamos começando a discutir; não vamos mais conversar agora, vamos nos acalmar e, depois, conversamos." Mesmo que ele insista, porque às vezes a pessoa diz que quer resolver, mas não estamos em condições de fazê-lo. Você está exaltada e eu também ficarei exaltada, e não resolveremos nada. Se quisermos resolver, precisamos estar tranquilos. Acho importante que você reconheça isso. Se quiser descarregar nele, entrará na briga; se quiser consertar as coisas, terá de se eximir dessas cargas emocionais, o que não é tão simples.
Mas é uma boa ideia, sim, fazer terapia para que você consiga os melhores resultados em sua vida. É uma relação importante. Quando você consegue acertar com o seu contexto interno, certamente refletirá isso no ambiente externo; não tenha a menor dúvida.
Estou vivendo um drama. Depois que a minha mãe faleceu, meu pai veio da Bahia morar comigo. Meu marido nunca gostou muito da ideia, mas aceitou porque meu pai não tinha para onde ir e já está com bastante idade (78 anos). Meu pai é muito mandão e, depois de alguns meses, começou a colocar as asinhas de fora. Agora, de repente, ele e meu marido estão batendo boca. O negócio está ficando difícil. Confesso que minha família ficou desajustada depois da vinda dele para casa, mas sinto-me culpada só de pensar nisso. As coisas não vão bem e eu não sei o que fazer. Poderia me dar um conselho?
Você está me passando uma responsabilidade imensa. Em uma relação de duas pessoas, sempre uma afeta a outra. Às vezes, um casal que compartilha muitas coisas tem diferenças, e essas diferenças afetam ambos. Em determinados momentos, essas diferenças se manifestam de forma mais intensa. Administrar duas pessoas requer bom senso, discernimento e racionalidade. Existem vários itens que podem ser considerados.
Quando você tem um filho, a relação já muda; se houver mais um filho, totalizando quatro pessoas na casa, a dinâmica se altera novamente, e você pode se perguntar por que isso acontece. Se a atenção se destina apenas ao marido, trata-se de uma situação; se inclui também um filho, torna-se outra; e se a atenção deve ser dividida entre o marido e dois filhos, a atenção se distribui entre três pessoas, o que já gera dificuldades. A senhora presta mais atenção ao meu irmão, ou conversa apenas com o pai, enquanto o pai fala e você cuida do filho, e assim a situação vai se complicando.
Não sei quantos filhos você tem, pois não os menciona aqui. Você menciona seu pai de 78 anos; pai é pai. Seu marido não tem condições de competir muito, pois foi ele quem lhe deu origem. Penso que, embora pareça difícil, a primeira coisa a fazer é sentar-se com ele e conversar. Não importa se ele é pai ou não; reúna todos na sala e diga que precisa falar algo. Diga ao seu pai: "Esta casa…" Cite o nome do seu marido, o seu nome e o dos seus filhos. Assim: "Esta casa constitui a nossa família."
O senhor está aqui neste momento e nós ficamos muito felizes com a sua presença. Contudo, o senhor está interferindo na harmonia da nossa casa, o que é inaceitável para nós. Principalmente para mim, já que você é filha, pode falar à vontade; o seu marido não pode falar, pois isso geraria confronto. Você pode falar, mas de forma tranquila, com tom de voz adequado e segurança. Não pode falar com raiva, exaltada, com cargas emocionais ou com culpa. Se precisar falar com o seu pai, faça-o de maneira assertiva e calma. A comunicação deve ser assertiva e tranquila.
Dizer para ele: "Olha, pai, então é assim: eu não sei o que fazer, mas, com toda certeza, o senhor não pode atrapalhar a minha vida. Ou o senhor ajuda, ou realmente não vai dar para o senhor ficar aqui em casa; eu não sei o que vamos fazer, mas o senhor não poderá ficar aqui conosco. Por quê? Porque o meu marido está aqui, ele é uma pessoa que eu amo muito, meus filhos também; essa é a minha família e o senhor está atrapalhando. Então, gostaria que o senhor soubesse que o senhor é meu pai, mas, se o senhor é meu pai, terá que respeitar tudo o que eu constituí."
Isso é importante, porque é uma forma de dar um freio nele. Mas se ele começar a gritar, ele já está saindo do que considero correto. Se ele continuar assim, não dará certo. Meu marido tem razão; estou do lado dele. Você pode ficar do lado do seu marido, sim. Seu pai deve se posicionar da seguinte forma: ele não está na casa dele, portanto deve respeitar, pois está recebendo um favor. Quando somos acolhidos por alguém, devemos respeitar as regras da casa. A casa tem regras, e não é ele quem as dita; as regras foram estabelecidas por você e pelo seu marido.
A história termina aí. "Não, mas eu sou teu pai." "Sim, o senhor é meu pai. Mas, no momento em que eu constituí a minha família, já não tenho mais que responder ao senhor." Você não está mais dependente dele, não é? Então, ele está dependente de você e terá que respeitá-la.
Eu acho que é importantíssimo que você se posicione. Se ele disser que vai continuar desse jeito, diga: "Então, pai, vamos procurar um lugar onde o senhor possa ficar, um asilo ou algo semelhante, mas o senhor não ficará aqui." Você tem que ser firme. Se ele começar a fazer manobras ou a dizer que você é sua filha, lembre-se de que, embora eu seja sua filha, o senhor deve me respeitar; o senhor não está respeitando, não é verdade? Você já tem filhos, puxa vida. Já constituiu uma família. Portanto, essa instituição, da forma como você a constituiu, deve ser respeitada. Acabou.
Questões levantadas pelo material
- Como lidar com o ciúme entre pai e filho pela atenção da mãe?
- Como sugerir terapia de casal ao parceiro?
- Fazer terapia sozinho pode melhorar o casamento?
- Como interromper o ciclo de brigas no casamento?
- Como estabelecer limites com um pai idoso que mora comigo?
Palavras-chave
Como citar
ESAGÜI, Moisés. Relacionamento Familiar. Amparo: Centro de Estudos da Consciência, 6 dez. 2021. 1 podcast (20 min 37 s). Disponível em: https://centrodeestudos.org/acervo/relacionamento-familiar-2/. Acesso em: 2 nov. 2026.





